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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Epifania

    E em algum momento você respira mais profundamente, olha para os lados e percebe que de alguma forma chegou onde queria.
     De uma forma por vezes sacrificante, por vezes bela em todo o seu suor, empenho e merecimento.
    E qualquer definição de felicidade não define nem a metade do sentimento que te invade. E qualquer sorriso no rosto é mera fração da expressão que toma tua alma.
     E mesmo tentando controlar você tem consciência da euforia que vibra em teu corpo, onde qualquer coisa é nada perto desse tudo que te invade no agora.
     Nesse breve instante de desprendimento você revive dentre de si todo o caminho percorrido, relembra todas as lágrimas cedidas e todas as palavras que emolduraram os momentos. Lembra das quedas doídas e das pequenas conquistas que ainda não satisfaziam. Você lembra das madrugadas de sonhos agitados e das noites em que demorava a dormir por planejar os teus planos. Lembra das palavras de apoio e atenção que vieram na hora certa e admite que as outras entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
     Nesse milésimo de realização plena você se permite crer no eterno, crer em destino e sem titubear ou criticar você se permite crer em si mesmo.
      Então pisca os olhos, acorda para novas metas e espera ansiosamente para reviver esse belo segundo de epifania.





_ Maíra Brum.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Minha Forma

    Eu sei o que temos. Um acordo de cavalheiros, uma amizade entre opostos, uma brincadeira de bom gosto. Um 'diferente' encontrar.
    E sabendo disso lhe olho e confesso que preciso lhe contar uma verdade e que verdades no início, meio ou fim são sempre boas.
    "Eu gosto de você".
    E gosto de uma forma sem forma, sem jeito e até um pouco sem vergonha.
    Eu olho nos seus olhos e lhe digo que tudo passa. Que tudo passa, mas que enquanto eu desejar nada vai passar de dias brilhantes e sorrisos fáceis.
    Eu olho em seus olhos e transmito minha vontade, transmito meu querer e não bastam toques para saciar a vontade de você.
    Eu olho em seus olhos e percebo como perdi tempo, como estava com a visão deturpada, como a minha mente pode conviver tranquilamente com a saudade.
    E fico a me observar acariciando teus cabelos com uma tranquilidade aparente enquanto dentro de mim um turbilhão se revela. E por um breve momento eu te culpo em meus pensamentos. Te culpo pela investida, te culpo pelas lembranças que já são muitas e ainda mais pelas dúvidas tuas e minhas.
    E ao perceber tais dúvidas a minha forma de gostar vai fugindo da normalidade e ao invés do nariz arrebitado antecedido da fuga ela perde o limite, perde o orgulho e se declara (se julgando por baixo dos panos).
    Ela se mostra, se liberta e tenta fazer sutilmente você crer que permiti-la  solucionaria todas as coisas, responderia os teus dilemas e nos deixaria... nos deixaria mais "nós".
    E nesse instante não sou minha, sou toda ela e meu corpo que comedido estava lhe mostra com sentimento o que nós dois queremos ou pensamos querer.
    Me aproximo e próximo ao teu ouvido declaro:
    "Não quero que sinta a obrigação de ser o homem da minha vida. Só quero que saiba que estou lhe dando a chance de não ser mais um."
    Você olha pra mim, me toma em seus braços e não diz nada. Um olhar vale mais que mil palavras.




_ Maíra Brum