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terça-feira, 2 de junho de 2015

Tuas cenas

   Fala pra mim assim da boca pra fora que gosta das minhas fugas e do meu jeito sem dona de viver e guarda no armário a gaiola dourada que pensava em me presentear.

   Grita de forma sorridente que longe de mim "tudo passa bem, muito obrigada" e que se encanta todos os dias por essa minha liberdade desmedida e descompromissada guardando nas mãos cerradas as chaves do teu coração que era a doce cela pra onde pretendia me mandar.

   Anda pelas ruas e estufa no peito a segurança oca de quem faz que não se incomoda com os olhares de desejo vindo de outras moças e pisa forte mantendo a pose de independente deixando presa a menina dos olhos que me quer por inteiro e sempre.

   Pega meu celular para ver a hora tratando sem demora de vasculhar ligações suspeitas ou mensagens que possam me incriminar.

   Põe a roupa pra lavar e dissimula que não vasculha minha lapela nem procura por outros perfumes que minha camisa possa exalar.

   Encena a cena da mulher que não se abala, mas mesmo assim se descontrola querendo pra si um homem que é do mundo, que eu mantenho minha voz calma, te beijo ardentemente calando em você o turbilhão da alma e a confusão dos pensamentos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Bem me quer, te quero tambem

    Ficamos os dois a olhar pro alto, pro alto teto branco do seu atual apartamento enquanto brincamos suavemente com nossas mãos e entrelaçamos carinhosos os nossos pés. Os braços às vezes afastados deixam a moleza de lado e seguem sorrateiros a acariciar teu corpo. Passo a lhe observar. Você me sente e volta seu rosto pra mim. Nossos olhos fixos se admiram e enquanto nossos lábios calam eles contam segredos e se prometem respeito.

    Abaixo de nós o lençol reclama bagunçado talvez um pouco cansado da festa que fazemos todas as noites, todos os dias, quase que por todas as horas. O relógio sussura tímido que devemos voltar pro mundo e divertidos pedimos para ele deixar o verão pra mais tarde voltando para o chamego do colo compartilhado.

    No som toca alguma melodia que eu não conhecia antes de te encontrar e por vezes na televisão sem que percebamos os atores esquecem de sua atuação e passam a observar nossa desatenção  com curiosidade. Eles são o fundo luminoso e nós a novela viva.   

    Enquanto dedilha uma composição sobre mim, eu te escrevo frases na tentativa de tentar retribuir o bem que me faz e com o olhar marejado de alguma emoção que ainda não entendo guardo todos os nossos encontros como sonhos lembrados, talvez (questiona a minha mente) a realidade não possa ser tão bela.

    Mas aí vem meu coração apressado, tropeçando em seus próprios suspiros responder que o toque e o arrepio provocado são as provas necessárias para ganhar este caso. Respiro bem fundo aceitando a apelação e sentencio que estamos destinados a compartilhar nosso mundo com o outro pelo prazo de "enquanto for bom para ambos".

    Você aceita o proposto, abrimos um sorriso e seguimos construindo belos laços.

_ Maíra Brum