Ficamos os dois a olhar pro alto, pro alto teto branco do seu atual apartamento enquanto brincamos suavemente com nossas mãos e entrelaçamos carinhosos os nossos pés. Os braços às vezes afastados deixam a moleza de lado e seguem sorrateiros a acariciar teu corpo. Passo a lhe observar. Você me sente e volta seu rosto pra mim. Nossos olhos fixos se admiram e enquanto nossos lábios calam eles contam segredos e se prometem respeito.
Abaixo de nós o lençol reclama bagunçado talvez um pouco cansado da festa que fazemos todas as noites, todos os dias, quase que por todas as horas. O relógio sussura tímido que devemos voltar pro mundo e divertidos pedimos para ele deixar o verão pra mais tarde voltando para o chamego do colo compartilhado.
No som toca alguma melodia que eu não conhecia antes de te encontrar e por vezes na televisão sem que percebamos os atores esquecem de sua atuação e passam a observar nossa desatenção com curiosidade. Eles são o fundo luminoso e nós a novela viva.
Enquanto dedilha uma composição sobre mim, eu te escrevo frases na tentativa de tentar retribuir o bem que me faz e com o olhar marejado de alguma emoção que ainda não entendo guardo todos os nossos encontros como sonhos lembrados, talvez (questiona a minha mente) a realidade não possa ser tão bela.
Mas aí vem meu coração apressado, tropeçando em seus próprios suspiros responder que o toque e o arrepio provocado são as provas necessárias para ganhar este caso. Respiro bem fundo aceitando a apelação e sentencio que estamos destinados a compartilhar nosso mundo com o outro pelo prazo de "enquanto for bom para ambos".
Você aceita o proposto, abrimos um sorriso e seguimos construindo belos laços.
_ Maíra Brum