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domingo, 3 de março de 2013

"ô Chuva"

Um estrondo ou um barulho e a velocidade de todos os passos começa a aumentar.
E eu ?... eu desacelero ainda mais.
E enquanto cores e estampas estranhas começam a aparecer de bolsas preparadas eu olho para o céu e espero tua chegada.
Eles abrem preocupados sua chance de proteção, esbarram uns nos outros com seu objeto metálico delimitando certo espaço, certo isolamento, certa chance de não lhe sentir.

Eles não sabem o bem que pode trazer e só dão valor as tuas manifestações mais radicais, mas eu sei o quanto pode ser branda, mágica e libertadora.
Então quando todos já me deixaram sozinha na rua você chega e toca com leveza meu corpo, desliza suas vertentes por meu rosto e dá mais vida a cada parte do meu ser.
O toque em minha pele, o cheiro do asfalto/terra molhada, o gosto fresco de suas gotas, a beleza de seus desenhos brilhantes riscando o céu e o som de suas palavras.
Todos meus sentidos estimulados e acarinhados. Todo meu estresse levado aos bueiros, toda minha insegurança dissolvida, toda a alma lavada.

Não sou de açúcar.
Contigo não sou de medo, contigo sou de permitir.
Permitir com paz e alegria a chuva, a mudança, a tormenta, os raios brilhantes e enfim um céu limpo.









_ Maíra Brum

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