Nada mais justo que agradecer a inspiração tão inesperada e confessar que ao meu ver se entregar é um doce veneno e um concentrado antídoto.
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Você abre seus olhos, dá um "Bom Dia" ou seu silêncio ao mundo e inicia mais um pouco de caminhar.
Você sente que seu corpo e sua personalidade querem e pedem mais, mas lhe trancaram tanto dentro de si que liberdade é algo que não sabe se existe.
E de topadas em topadas. De insegurança em insegurança você segue sua trilha.
E a cada novo horizonte e oportunidade que brilha somos desencorajados, somos postos em um estado de medo. Somos sujeitados a superficialidade segura.
Mas e se nós nos entregarmos indo contra as vozes escondidas e incubadas ?
E se eu pensar que na minha vez vai ser diferente e eu chegarei onde almejo ?
Seja na profissão, seja na família, seja no amor ou na vida por completo. Talvez seja válido se jogar sem olhar pra trás e sem se preocupar com a distância até o chão.
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Eu tenho faixas que atam minhas mãos e pés. Faixas que me prendem, me poupam, me reduzem, me salvam e enclausuram em ações pequenas, olhares furtivos, toques rápidos.
Eu sigo com personalidade arredia e a cada nova tempestade limpo com cuidando cada fio e linha na tentativa de não deixar minhas faixas mais entranhadas do que já estão. Eu cuido delas.
Minhas faixas são parte de mim, mas quem sabe talvez você saiba aliviá-las. Quem sabe você que as olhou de forma tão atenta possa afrouxá-las com carinho e soltando alguns nós me fazer caminhar melhor.
Quem sabe com paciência você me livre dessa rotina que já pensava ser a única pra mim e me mostre como é diferente me expressar de forma ampla, de forma plena, sem restrições.
E eu penso que gostaria que fosse você a me dar o sentido de liberdade mesmo que fosse para simplesmente roubá-lo depois de me conquistar.
E eu penso que seria ótimo se você com zelo pusesse abaixo todas as barreiras e me deixasse enxergar melhor o mundo que habito.
Eu tenho faixas e as chamo de Medo, as chamo de Frustrações Anteriores, as chamo de Insegurança e quando estou em paz com elas as denomino apenas como Cuidado.
Eu tenho faixas, mas penso que poderíamos cortar nossas tão pessoais amarras, colocar os tecidos puídos em uma caixinha de segurança e enfim nos entregar.
_ Maíra Brum
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