Para ambientar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=E8i5dwFkHKY _ Ex-amor por Diogo Nogueira
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Desperto de nossa realidade para um instante de escolha. O pensamento que antes decorrente eu afastava, hoje será/é assumido: "Tenho que ir".
Não quero de ti promessas que me façam ter qualquer certeza além da que eu tenho em mim: "precisamos nos permitir ser feliz". Não sermos, mas exatamente ser, cada qual individualmente em um novo caminho.
Te pego pela mão e começo a te guiar por nossa casa. Enfim percebe as coisas que mudaram. As coisas que arrumei para nossa despedida. Porta-retratos espalhados por todos os cantos eu pus, com fotos que nos façam ver os momentos mais espontâneos e felizes de nossa estrada. Nossas caretas, nossas desculpas, nossos sonos e sonhos que com o tempo deixaram de brilhar, mas que como lembrança ou saudade conformada serão eternamente belos e valiosos.
E num certo cômodo você sente um cheiro e recorda. É o cheiro de primeiro perfume que me deu e que contrariando as crenças femininas e familiares não nos provocou brigas, mas sim risos e chamegos. Digo que é cheiro de começo. Um começo que agora eu lhe presenteio.
Lágrimas já eram esperadas e com elas eu dou o toque final ao teu prato predileto. Aquele que consegui aprender a fazer melhor que sua mãe e avó. O único na verdade que consegui essa proeza. Te sirvo então usando uma bela roupa que nunca vira e que ressalta partes de mim que esquecera. Quero lhe sinalizar suavemente a mudança.
Mas a mudança não é pra ti. Ela é para mim, por nós. Por nosso carinho que não quero exterminar com a insistência, por nosso respeito que não quero perder por conta das brigas, por nosso amor que desejo sempre amável, sempre afeto, sempre bem-vindo.
E continuo dando os últimos passos na mesma estrada que ainda é tua, fazendo de tudo para lembrar e esquecer de nós da melhor forma.
E a dor ?
Deixa a dor doer sozinha e calada, ao menos hoje ela não vai nos tirar a beleza de todas as outras coisas. Deixa ela ferir num outro tempo, por outra história.
Na despedida ameaçamos um beijo. Por costume ou vontade ? (não sabemos ao certo) Mas é melhor evitar. Um beijo agora só teria a intenção de adiar o inadiável.
Te dou um abraço forte, olho nos teus olhos tão conhecidos pelos meus. Lhe abro um sorriso.
E no fim de tudo meu intuito é nos deixar para nos permitir.
_ Maíra Brum
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