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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sapos Que Não Engulo

    Talvez você tenha conseguido deturpar tanto a sua mente que pense que suas teorias são tudo o que é necessário para esse Brasil seguir.
    Talvez para você só suas obras faraônicas, seus eventos estrondosos e seus gastos absurdos com futilidades sejam o TUDO que a população precisa.
    Talvez você tenha um dia olhado no espelho e tido a certeza que para chegar onde chegou jamais precisou de alguém além de si.
    Ou mesmo já tenha nascido com essa auto-suficiência e seja para nós, meros mortais da dualidade dependente-independente, uma tarefa muito difícil entender essa presença tão nata.
    Talvez você tenha se desiludido com alguém na vida política e tenha assim agregado para si que fazer o que é errado é melhor para todos.
    Talvez você tenha se desiludido com alguém da sua família e tenha transferido esse ressentimento para todo um povo.
    Talvez você seja refém de contratos, políticos amigos e negociatas.
    Talvez você não tenha dimensão da raiva e transtorno que assola a maioria das pessoas.





     Talvez você nunca tenha precisado frequentar a escola, sabendo desde sempre efetuar contas, corrigir erros de gramática, discursar sobre a trajetória do Brasil ou mesmo sobre fenômenos físicos, químicos e sociais.
    Talvez você nunca tenha ficado doente, precisando assim ser atendido as pressas para curar algo que típicos remédios não resolveriam. Talvez nunca tenha precisado de uma opinião especializada para um problema ou talvez nunca tenha tido problemas.
    Talvez você nunca tenha necessitado de segurança ou ao menos de sentir que sair a rua ou fazer qualquer coisa não denotará um perigo que pode lhe tirar a vida.

    Talvez você pense que é o maioral, o chefão, o manda-chuva, o senhor dos senhores, o rei da cocada preta ou o digníssimo e tenha esquecido que as mídias, as mentes e as lutas estão mais atentas, abertas e fortalecidas.
    Talvez você tenha se transvestido de DEUS e entenda que nada nem ninguém  além da sua grandiosa presença, dos seus poderosos trovões e dos seus esplendorosos mandamentos deva ser seguido.

    Talvez você esteja com medo e só esteja usando de violência para retomar um controle ilusório.
    Talvez você caia.

Assim espero.




_ Maíra Brum

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Olhos nos Olhos"

http://www.youtube.com/watch?v=PizNex3ldmU  _ Olhos nos Olhos _ Chico Buarque

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    Não havia como pensar que não era você. Um jeito de andar e um corpo que eu vivi e amei por um tempo que não se determina. Um jeito de olhar que nunca passaria desapercebido a mim, ao meu medo, aos meus dias que sempre me deixaram a dúvida de como seria lhe rever.
    Um sonho não programado me trouxe você e me forçou a refletir.

    O tempo passou, eu provei de outros gostos, desgostos e alegrias mais plenas do que as que vivi com você.
    E hoje eu (acho que) te perdoo.
    Te perdoo por ter lutado de uma forma obscura por nosso amor, por ter manchado um pouco do meu jeito romântico que antes era tão puro.
    Te perdoo por ter me ferido com palavras avulsas e ter tentado curar essas marcar com uma paixão que não me dava vida, me fulminava.
    Te perdoo por achar que era meu dono, sem perceber que eu te queria como um amor, como um amigo, como um homem.
    Te perdoo por me trair de pequenas formas, por se vingar por pequenas coisas, por ter minado o que nós tínhamos.

    Mas para te perdoar eu precisei durante dias entender que o perdão devia ser a mim. Então...
    Eu me perdoo por ter me deixado levar de uma forma que a palavra era apenas tua e o relacionamento era apenas teu e não nosso.
    Eu me perdoo por ter deixado calada tantas miúdas mágoas que me corroíam e depois aquietavam pelo prol do nosso relacionamento.
    Eu me perdoo por tê-lo mimado, por tê-lo compreendido em excesso e por não ter tido iniciativa para lhe mostrar que sua pretensão não tinha nenhum embasamento se não o seu ego elevado.
    Eu me perdoo por não ter ouvido aqueles que de fato me amavam e me viam perder o brilho a cada dia.
    Eu me perdoo por ter dado um basta, mas por fraqueza ter permitido uma segunda tentativa.
    Mas mais ainda...
    Eu me perdoo por ter pensado algum dia que aquele tipo de amor era o que eu precisava.


    E me perdoando para nos perdoar eu perco o medo de um dia lhe ver na vida real. De um dia cruzar com teu olhar em uma esquina de um dia normal onde eu não espere nenhuma surpresa. Eu perco a raiva, eu perco a mágoa e perco a insegurança de me entregar maravilhosamente (de forma mais sábia) a outra pessoa.
    Nos perdoando eu me dou uma nova chance, eu me permito um caminhar mais leve, pois hoje eu deixo no passado o que passou. 
    E você passou.


    Até nunca mais ou até breve, JS.



_Maíra Brum