E eu ainda lembro do meu primeiro amor, ou do primeiro ser a quem julguei amar (além de minha família).
Um amor que não me consumia, por tudo em mim ser ainda pequeno, mas um amor 'carinhado', de mãos dadas, segredos no ouvido e vergonha do mundo.
Lembro com uma certa névoa do rosto infantil que me despertou uma vontade inocente de se estar colado, coladinho. Do menino de jaqueta de couro, perfume diferente e super popular que olhou para mim e (não lembro como nem quando) começou a me namorar.
Lembro de alguns presentinhos que ganhei e da cartinha que em uma aula lhe escrevi. Lembro de temer contar a minha mãe sobre o 'nós' por já entender que amor naquele idade era algo proibido. Lembro de dividir com minhas amigas as ansiedades puras e belas de alguém que gostava e a felicidade de ser chamada de "Linda".
Meu primeiro beijo foi dado a ele durante uma aula especial, debaixo da mesa da biblioteca. Invejosas nos deletaram à professora e eu neguei. Acho que foi nessa época (e por necessidade) que aprendi a mentir.
E eu lembro também de quando com o coração partido (por saber que ele não era mais só meu) eu menti dizendo para a professora na frente de todos da turminha que dele não gostava.
Recordo o fato daquele amor acabar e nascer uma amizade infantil com trocas de confidências e opiniões sobre novos amores. Um contato que com a separação das escolas se dissolveu feito açúcar, feito sonhos, feito lembrança.
Os anos passaram e eu tive amores mais intensos e mais carnais, tive desilusões fortes e de certa forma devastadoras (devastação que abriu espaço para um nova e melhor Maíra). Tive namoros longos, curtos e indefiníveis. Tive amigos-amores, amores que não eram amigos e um tempo que passou um pouco que correndo demais.
E mesmo hoje eu sinto uma sincera simpatia por amores inocentes com cara de "forte por vidas e vidas" e com um toque de "eterno enquanto dure" como aquela menina teve em sua infância.
E fica em mim a certeza de que quase todos os amores são lembrados, mas de fato o primeiro amor sempre marca.
Bruno, espero que seus caminhos tenham sido tão ou mais surpreendestes que os meus. Obrigada por ter me dado histórias para compor essa crônica.
_ Maíra Brum.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
A Voz De Dentro
Não sei exatamente em que ponto parei de prestar atenção ao mundo e comecei a me ouvir. Não sei exatamente, pois foi algo sentido de forma brusca de tempos em tempos não determinados. Algo vivenciado de modo intenso, sem endereço e remetente, mas com meu Amor Próprio como destinatário.
Calar o mundo e ouvir meu universo fez o verde ser mais verde, a confiança ser mais forte, a alegria ser mais contagiante e o amor ser mais livre.
Calar o mundo me deu calor em viver meus sonhos e vontade inabalável em ajudar os sonhos alheios; me permitiu viajar por minhas múltiplas formas de ser e aceitar com tranquilidade as múltiplas resultantes de meus atos.
Dizer "Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuu" para as vozes que não tem o mesmo tom e que vibram de forma diferente da minha me trouxe paz e deixou limpa e bela uma sinfonia de sons amigos.
Não que as outras vozes tenham se calado, muito pelo contrário, aparentemente querem falar ainda mais alto, mas meu ouvido (que tem sido treinado) com paciência e sabedoria tem sabido separar e diferenciar a música e o ruído.
E sigo eu num sem fim de melodias mutáveis que fortalecem ainda mais a voz sincera que vem de dentro de mim.
_ Maíra Brum.
Calar o mundo e ouvir meu universo fez o verde ser mais verde, a confiança ser mais forte, a alegria ser mais contagiante e o amor ser mais livre.
Calar o mundo me deu calor em viver meus sonhos e vontade inabalável em ajudar os sonhos alheios; me permitiu viajar por minhas múltiplas formas de ser e aceitar com tranquilidade as múltiplas resultantes de meus atos.
Dizer "Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuu" para as vozes que não tem o mesmo tom e que vibram de forma diferente da minha me trouxe paz e deixou limpa e bela uma sinfonia de sons amigos.
Não que as outras vozes tenham se calado, muito pelo contrário, aparentemente querem falar ainda mais alto, mas meu ouvido (que tem sido treinado) com paciência e sabedoria tem sabido separar e diferenciar a música e o ruído.
E sigo eu num sem fim de melodias mutáveis que fortalecem ainda mais a voz sincera que vem de dentro de mim.
_ Maíra Brum.
Assinar:
Comentários (Atom)
