Páginas

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Eu Me Lembro...

    E eu ainda lembro do meu primeiro amor, ou do primeiro ser a quem julguei amar (além de minha família).
    Um amor que não me consumia, por tudo em mim ser ainda pequeno, mas um amor 'carinhado', de mãos dadas, segredos no ouvido e vergonha do mundo.
    Lembro com uma certa névoa do rosto infantil que me despertou uma vontade inocente de se estar colado, coladinho. Do menino de jaqueta de couro, perfume diferente e super popular que olhou para mim e (não lembro como nem quando) começou a me namorar.
    Lembro de alguns presentinhos que ganhei e da cartinha que em uma aula lhe escrevi. Lembro de temer contar a minha mãe sobre o 'nós' por já entender que amor naquele idade era algo proibido. Lembro de dividir com minhas amigas as ansiedades puras e belas de alguém que gostava e a felicidade de ser chamada de "Linda".
    Meu primeiro beijo foi dado a ele durante uma aula especial, debaixo da mesa da biblioteca. Invejosas nos deletaram à professora e eu neguei. Acho que foi nessa época (e por necessidade) que aprendi a mentir.
    E eu lembro também de quando com o coração partido (por saber que ele não era mais só meu) eu menti dizendo para a professora na frente de todos da turminha que dele não gostava.





    Recordo o fato daquele amor acabar e nascer uma amizade infantil com trocas de confidências e opiniões sobre novos amores. Um contato que com a separação das escolas se dissolveu feito açúcar, feito sonhos, feito lembrança.
    Os anos passaram e eu tive amores mais intensos e mais carnais, tive desilusões fortes e de certa forma devastadoras (devastação que abriu espaço para um nova e melhor Maíra). Tive namoros longos, curtos e indefiníveis. Tive amigos-amores, amores que não eram amigos e um tempo que passou um pouco que correndo demais.
   E mesmo hoje eu sinto uma sincera simpatia por amores inocentes com cara de "forte por vidas e vidas" e com um toque de "eterno enquanto dure" como aquela menina teve em sua infância.
   E fica em mim a certeza de que quase todos os amores são lembrados, mas de fato o primeiro amor sempre marca.


Bruno, espero que seus caminhos tenham sido tão ou mais surpreendestes que os meus. Obrigada por ter me dado histórias para compor essa crônica.



_ Maíra Brum.

Um comentário: