Páginas

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dança Comigo?

    Sei que estou um pouco duro devido as mulheres que passaram por mim durante as outras músicas. Posso dizer que com elas aprendi e até fui feliz, mas sempre havia um detalhe, um erro ou uma pisada no pé que me fazia parar a dança e querer tentar com uma outra dama.
    Sei que não sou novo nesse baile, que já me permiti todos os ritmos possíveis e impossíveis e que com toda essa experiência alguns calos foram formados e uma certa perda de brilho aconteceu. Mas ao me deparar com você passando por mil e outros olhares, inclusive pelos meus uma vontade de existir pra ti começou a crescer.
    Sei que essa meta requer tempo e respeito. Vai ver você também já dançou com outros que não se adequaram, mas eu chego manso e te proponho um contato.
    Trocamos telefone e começamos a conversar por entre os dias. Deixo claro que isso não é um jogo. Jogos são egoístas e complexos e eu quero ganhar em conjunto. Então proponho uma dança.
    Fica a teu cargo escolher o lugar e eu escolho o dia.  Você pode comandar cada movimento, mas eu só te faço um simples pedido.

    "O quê?", você pergunta.
    "Dessa vez quero que seja diferente. Quero com você dançar sem música."

    Você se mostra confusa, mas embarca na aventura que te propus e o encontro se faz com ambos um pouco ansiosos. Tudo é novo pra mim tambem.
    Papeamos um pouco e você sinaliza que está pronta. Nos levantamos e eu suavemente com minha mão fecho os teus olhos. Encosto meu corpo ao teu te percebendo tensa, mas aos poucos você se acomoda e descança sua cabeça em mim. Uma mão pousa em sua cintura e a outra entrelaça nos teus dedos.
    Percebendo a respiração um do outro iniciamos um balanço, uma dança, um movimento muito nosso. Percebo que as vezes sorri suavemente e meu peito se satisfaz ao te deixar satisfeita.
    Um passo de cada vez no ritmo de nosso pulso desenhamos o chão com carinho e aos poucos voltamos a apenas respirar.
    A dança cessa, você me olha, eu te acaricio e um beijo acontece para encerrar essa valsa.



_ Maíra Brum

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vou te Apresentar um Alguém

    Quando perdemos algo que parecia tão nosso é muito natural nos sentirmos sem chão, um tanto cabisbaixos e com o olhar se afogando em um mar de água. Quando perdemos alguem que parecia tão nosso é muito natural nos questionarmos, questionarmos o outro e por que não (?) envolver até Deus e o universo nesse drama tão sincero.
    E nesse exato momento em que abrimos espaço para a resposta de terceiros surge um guro de face e nome desconhecidos que diz: "Para esquecer a dor de um amor passado, só um amor novo". E então com uma lucidez que pensava não possuir (e não possui!) entende o recado (a sua maneira) e se aventura sem pesar as coisas, sem entender os resultados, sem olhar para o que esta acontecendo. Mais uma vez deposita em outro a expectativa de que tudo dará certo sem medir se o outro é forte ou interessado o suficiente para essa missão.
    Você está fazendo isso do jeito errado, mas eu posso te ajudar. Vou te apresentar um alguém... um novo amor verdadeiro.
    Ele é antigo na sua vida, mas algumas vezes você o relegou ao esquecimento. Ele é lindo, é encantador e tem passado a vida inteira esperando por teus lapsos de reconhecimento. Ele te coloca pra cima, te faz ir longe, te faz ser segura, te faz se sentir único. Ele é fiel e sincero. Pode fazer tua mente abrir, teus caminhos expandirem e teu sorriso não caber em teu rosto. Ele tem disponibilidade pra ir onde você quiser e a qualquer hora que desejar.
    Mas óh, ele não tem Whatsapp, não recebe e-mail e nem tem perfil no Tinder ou facebook. Ele gosta de uma conversa cara a cara e para isso você precisa ir até ele.
    O endereço desse alguem perfeito? Dentro de você.
    O nome dele é amor próprio e só esta a espera de uma oportunidade pra te completar.
    E assim, quando se sentir pleno não haverá buraco ou falta. Não haverão cobranças extremas, não heverão inseguranças sufocantes. O que vier e por quanto tempo vier terá a função bela e simples de somar.








_Maíra Brum

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Carta pra você

    Sei que sua cabeça tem dado alguns giros e que o ar tem faltado aos seus pulmões. Sei que tem muitas palavras presas na garganta e lágrimas contidas a espera de sua deixa. Sei que teu  sono não anda tranquilo e que está mais cansado(a) não do agito que sua rotina demanda, mas sim do trabalho mental que seus pensamentos lhe cobram.
    Eu sei, eu sei disso tudo.
    Sei que algumas vezes se olha no espelho não entendendo muito bem o que é refletido, mas tambem como reconhecer o que não se conhece? Você está diferente.
    Sei que anda questionando suas escolhas, seus planos e até tua essência, mas sobre isso fique tranquilo(a): "você se conhece melhor do que qualquer outra pessoa".
    Faz assim. Respira fundo, mas fundo mesmo. Relaxa seus ombros, seu rosto e perceba que tomar decisões em meio ao caos nunca foi uma opção ou alternativa. Você distingue e enxerga tudo melhor na maré baixa. Então se deixa sussegar.
Deixa a tempestade passar, as ondas acalmarem. Teu barco vai voltar a encontrar o rumo certo.
    E pegue como verdade que: "Chegar ao fim desejado mesmo com obstácullos e difuculdades torna mais saborosa toda e qualquer vitória e te torna mais forte".

_ Maíra Brum

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Epifania

    E em algum momento você respira mais profundamente, olha para os lados e percebe que de alguma forma chegou onde queria.
     De uma forma por vezes sacrificante, por vezes bela em todo o seu suor, empenho e merecimento.
    E qualquer definição de felicidade não define nem a metade do sentimento que te invade. E qualquer sorriso no rosto é mera fração da expressão que toma tua alma.
     E mesmo tentando controlar você tem consciência da euforia que vibra em teu corpo, onde qualquer coisa é nada perto desse tudo que te invade no agora.
     Nesse breve instante de desprendimento você revive dentre de si todo o caminho percorrido, relembra todas as lágrimas cedidas e todas as palavras que emolduraram os momentos. Lembra das quedas doídas e das pequenas conquistas que ainda não satisfaziam. Você lembra das madrugadas de sonhos agitados e das noites em que demorava a dormir por planejar os teus planos. Lembra das palavras de apoio e atenção que vieram na hora certa e admite que as outras entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
     Nesse milésimo de realização plena você se permite crer no eterno, crer em destino e sem titubear ou criticar você se permite crer em si mesmo.
      Então pisca os olhos, acorda para novas metas e espera ansiosamente para reviver esse belo segundo de epifania.





_ Maíra Brum.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Minha Forma

    Eu sei o que temos. Um acordo de cavalheiros, uma amizade entre opostos, uma brincadeira de bom gosto. Um 'diferente' encontrar.
    E sabendo disso lhe olho e confesso que preciso lhe contar uma verdade e que verdades no início, meio ou fim são sempre boas.
    "Eu gosto de você".
    E gosto de uma forma sem forma, sem jeito e até um pouco sem vergonha.
    Eu olho nos seus olhos e lhe digo que tudo passa. Que tudo passa, mas que enquanto eu desejar nada vai passar de dias brilhantes e sorrisos fáceis.
    Eu olho em seus olhos e transmito minha vontade, transmito meu querer e não bastam toques para saciar a vontade de você.
    Eu olho em seus olhos e percebo como perdi tempo, como estava com a visão deturpada, como a minha mente pode conviver tranquilamente com a saudade.
    E fico a me observar acariciando teus cabelos com uma tranquilidade aparente enquanto dentro de mim um turbilhão se revela. E por um breve momento eu te culpo em meus pensamentos. Te culpo pela investida, te culpo pelas lembranças que já são muitas e ainda mais pelas dúvidas tuas e minhas.
    E ao perceber tais dúvidas a minha forma de gostar vai fugindo da normalidade e ao invés do nariz arrebitado antecedido da fuga ela perde o limite, perde o orgulho e se declara (se julgando por baixo dos panos).
    Ela se mostra, se liberta e tenta fazer sutilmente você crer que permiti-la  solucionaria todas as coisas, responderia os teus dilemas e nos deixaria... nos deixaria mais "nós".
    E nesse instante não sou minha, sou toda ela e meu corpo que comedido estava lhe mostra com sentimento o que nós dois queremos ou pensamos querer.
    Me aproximo e próximo ao teu ouvido declaro:
    "Não quero que sinta a obrigação de ser o homem da minha vida. Só quero que saiba que estou lhe dando a chance de não ser mais um."
    Você olha pra mim, me toma em seus braços e não diz nada. Um olhar vale mais que mil palavras.




_ Maíra Brum