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sábado, 12 de janeiro de 2013

Palavras de Cigana (2)


  O dia amanheceu, meus olhos se abriram e tudo está diferente.
  Ponho minha mão no peito. Respiro tão fundo que me perco sentindo o corpo pulsar.
  Passo minha mão sobre a pele e nela há marcas invisíveis de você.
  Deixou-se ficar em mim. Logo agora que percebi o perigo e pensava em lhe esquecer.
  Logo agora que eu pensava estar livre me prende sem algemas. Me prende sem paredes, sem chance a questionamentos, sem direito a uma última ligação para o ontem. O ontem no qual eu ainda tinha o controle das coisas.

  O dia amanheceu e o calor do Sol tímido me lembrou teus beijos.
  Meus passos descalços pelas estradas perderam o rumo, pois em ti já me encontrei.

  E meus gestos agora são por vezes leves e por vezes intensos.
  Meus olhares são por vezes perdidos e por vezes diretos.
  Minha razão se torna por vezes calada.
  Minha paixão, escandalosa.
  E meu sentimento me deixa completa.
  Por agora.

  O dia amanheceu e eu vejo-o passar se arrastando quando não estás.
  E algo em mim questiona, pede explicações e motivos.
  Algo forte em mim nega, consolida e vive em diário conflito.
  Algo em mim grita: "Hoje eu te quero e isso basta."*

  Eu amanheci e algo despertou comigo.
  Mesmo tendo medo do diferente eu avanço.
  Eu me permito, eu te renego. Eu me renego e te permito.
  E minha intuição cria um diagnóstico e me confessa:
  "Seu caso, moça, é paixão cigana".












_ Continua ?




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(*) Frase retirada de um diálogo do livro Esmeralda da autora Zíbia Gaspareto























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_ Maíra Brum





    

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