O dia amanheceu, meus olhos se abriram e tudo está diferente.
Ponho minha mão no peito. Respiro tão fundo que me perco sentindo o corpo pulsar.
Passo minha mão sobre a pele e nela há marcas invisíveis de você.
Deixou-se ficar em mim. Logo agora que percebi o perigo e pensava em lhe esquecer.
Logo agora que eu pensava estar livre me prende sem algemas. Me prende sem paredes, sem chance a questionamentos, sem direito a uma última ligação para o ontem. O ontem no qual eu ainda tinha o controle das coisas.
O dia amanheceu e o calor do Sol tímido me lembrou teus beijos.
Meus passos descalços pelas estradas perderam o rumo, pois em ti já me encontrei.
E meus gestos agora são por vezes leves e por vezes intensos.
Meus olhares são por vezes perdidos e por vezes diretos.
Minha razão se torna por vezes calada.
Minha paixão, escandalosa.
E meu sentimento me deixa completa.
Por agora.
O dia amanheceu e eu vejo-o passar se arrastando quando não estás.
E algo em mim questiona, pede explicações e motivos.
Algo forte em mim nega, consolida e vive em diário conflito.
Algo em mim grita: "Hoje eu te quero e isso basta."*
Eu amanheci e algo despertou comigo.
Mesmo tendo medo do diferente eu avanço.
Eu me permito, eu te renego. Eu me renego e te permito.
E minha intuição cria um diagnóstico e me confessa:
"Seu caso, moça, é paixão cigana".
_ Continua ?
.
(*) Frase retirada de um diálogo do livro Esmeralda da autora Zíbia Gaspareto
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_ Maíra Brum
Legal bacana !
ResponderExcluirObrigada =)
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