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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Despedida

    "Tchau".
    Foi apenas o que disse e você saiu com aquela incerta (mas presente) certeza de que depois de algumas horas iria voltar.
    Voltar para sua casa, seus planos, suas amizades, sua família.
    Voltar para sua rotina, seus momentos de alegria, seus instantes de estresse, sua vida.
    Não imagino como foi tudo lá. Não sei se estava sendo a melhor noite da sua vida ou mais uma madrugada de música alta  na sua semana.

    Não sei se gargalhou; se bebeu para se divertir ou esquecer os problemas; se encontrou alguém interessante, se aproveitou com seu amor ou se sentiu falta da única pessoa que lá não estava.
    Não sei se pensou em sair mais cedo e lhe convenceram a ficar.
    Eu não sei de nada além da dúvida. Nada além da sua falta.
    Nada além da esperança, mesmo tendo por certa uma notícia que me provocou tamanha angústia.
    E se deixou de existir aqui, não deixará de existir em mim. Não deixará de me fazer sentir... seja dor, seja raiva, seja amor, seja saudade.
    Pois esse vazio não é vazio por ser preenchido por você.
    E essa lágrima que rola com vontade 'só' queria ter o poder de mudar esse fim.
    Se nos faltou a despedida... agora eu começo a tentar fazê-lo:
"Adeus, (meu filho, minha filha, meu amigo, minha amiga, meu sobrinho, minha sobrinha, meu neto, minha neta, meu afilhado, minha afilhada, meu namorado, minha namorada... pessoa que ainda amo).
Descanse agora, onde estiver.
Tenha por certo meu eterno carinho, meu latente sentir. Tenha por certo sempre o meu amor."





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Escrevi esse texto para ajudar, para consolar ou mesmo tentar traduzir com palavras o que os familiares da catástrofe de Santa Maria podem estar sentindo.
Me aproximo de vocês, por entender muito bem como é perder uma pessoa querida de forma tão brusca e rápida, por conta da imprudência de alguém.
Estranho que mesmo com o passar do tempo, as vezes ainda vamos nos pegar esquecendo que a pessoa não está mais entre nós.
Mas entendam. Com o tempo o desespero ameniza.
E o que resta é uma doce saudade e lágrimas conformadas.
Ao menos espero que assim seja com vocês.

Meus pêsames.



Maíra Brum.

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