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domingo, 26 de maio de 2013

Eu Quero Segurar Sua Mão

Olhos fechados.
A minha fala se perde e em mim apenas há o desejo de não errar, de não te afastar.
Ela: Eu apenas queria...
Ele: Eu apenas queria...

...chegar mais perto. E chegaria mais perto na tentativa de entender porque me sinto assim.
Ela: Quem sabe talvez seja só impressão minha.
Ele: Será que poderia acontecer alguma coisa (?).

São tantas as diferenças e mesmo assim há algo que me chama, algo que me fascina, que me envolve e sem que eu resista, domina. Eu poderia conhecer seu universo, poderia tentar olhar de forma mais atenta para o seu mundo.Pois ao fim de...
Ela: devaneios e reflexões...
Ele: equações e contas...

... eu quero ser alguém pra ti e mais perto chegar para segurar sua mão.

E por mais que eu não saiba ao certo como agir, como falar ou como me tornar mais interessante aos seus olhos acho que não faria mal tentar. Tenho em mim que vale a pena lhe querer, que valeria a pena construir. Que você é mais.
Mais do que...
Ela: Aqueles...
Ele: Aquelas...

... que passaram por meu caminho e deixaram apenas pegadas fracas.

Teu caminho cruza o meu. Meu olhar cruza com o teu. Eu respiro buscando o ar...
Ela: Bom dia...
Ele: Bom dia...

...e caminhamos na mesma direção em uma extensa conversa.
Você sorri puxando assunto e no fundo eu apenas penso...
Ela: Como é bom tê-lo por perto.
Ele: Como ela é linda.

Eu deixo meu medo pra trás estreitando nosso contato.
Os abraços já são...
Ela: os mais seguros que senti.

E os beijos...
Ele: os mais intensos que provei.


Você me olha com aquele brilho e eu te confesso:
Ela: eu sempre lhe esperei.
Ele: eu sempre lhe quis.








De súbito retorno ao nosso momento e abrindo meus olhos, lhe vejo...
Ela: Lindo...
Ele: Linda...

a minha frente. Na frente de todos.
Eu digo:
Ela: Sim...
Ele: Sim...

Lhe beijo, lhe abraço... e pra nunca mais soltar as suas mãos eu seguro.









Maíra Brum.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Depois de "Somos Tão Jovens"

Cartaz do filme




    Eu estou com cheiro de cigarro, de bebida e bagunça. Um cheiro forte de vontade, cheiro de desejo, de sonhos e paixões exalando. E junto desse cheiro apertou em meu peito um coração que dessa forma não pulsava.
    Me mostraram tua história, tuas escolhas, teus ocultos amores e sua música.
    E através de cada película eu lembrei um pouco mais de mim. Um pouco da pequena que cresceu ouvindo suas letras por conta do gosto de seus familiares que vivenciaram os famosos "Anos 80". Um pouco da recém-adolescente que tinha planos e quereres tão especiais e esperança indestrutível.
    E tudo que era incompreensível e tão distante se tornou real.
    Eu sai daquela sala de cinema querendo muita mais da vida e menos de mim. Ou mesmo querendo muito de atos despretensiosos, em paz e felizes meus e esperando menos cobrança, julgamento e mentiras da vida.
    Difícil conter. O momento é de revolta!
    Uma revolta interna, uma mudança de atitude. Na verdade ATITUDE é a palavra que define todas as coisas.
    E naquela noite de poltrona e pipoca percebi a necessidade  de não sentir mais necessidade de nada. Ao menos o "nada" que não me faz bem.

    Eu digito rápido, com força e um ar de mulher.
    Ar de quem sabe o que quer e não vai mais se negar a ser plena.
    De quem pensa que "Ainda É Cedo" e que é muito jovem para deixar de viver todas as coisas.





Trecho de  "Baader-Meinhof Blues"  (Legião Urbana) 









_ Maíra Brum.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Palavras de Cigana (4)

    Foi estranho perceber como o céu fechou e tudo ficou tão cinza, tão apático, tão sem vida. Não se ouvia risos nem música.
    Foi estranho olhar pra frente e não enxergar meu caminho. Foi estranho não me reconhecer.  Olhei para as estrelas na intenção de entender e um forte vento soprou os fios de meu cabelo. Fechei meus olhos e senti. Ventos sábios, justos e decididos de mudança.
    E o caminho que eu traçava eu deixei de lado, e os planos que eu construía eu abandonei, e do sentimento que eu nutria eu fiz pó. Fiz cimento, fiz viga, fiz ponte para um novo momento.
    Mas antes de atravessar deixei ao chão do velho acampamento aquilo que pesava e assim ficou uma parte pequena, cansada e desesperançosa de minha alma junto a fogueira apagada.
    Roguei àqueles que me antecederam proteção e um sussurro me faz relembrar que desde menina me ensinaram que erros, quedas e ilusões são meios de aprendermos sobre a vida.

    Pus-me a andar, andarilha que sou.
    Tropeçando um pouco no início julguei ter passado tempo demais estagnada, mas para toda evolução os primeiros passos devem ser dados. Mesmo indecisos, tortos e inseguros.
    E agora desbravo novas estradas, percorro novos olhares, me encontro dentro de mim e da paixão que sinto pela vida.

    Com o baralho no bolso e o pandeiro a me animar, sorrio e entendo:

    "Não há como tirar da pele a possibilidade de ser ferida sem tirar-lhe a possibilidade de ser marcada, de ser beijada, de ser tocada e acariciada."








Maíra Brum.