Foi estranho perceber como o céu fechou e tudo ficou tão cinza, tão apático, tão sem vida. Não se ouvia risos nem música.
Foi estranho olhar pra frente e não enxergar meu caminho. Foi estranho não me reconhecer. Olhei para as estrelas na intenção de entender e um forte vento soprou os fios de meu cabelo. Fechei meus olhos e senti. Ventos sábios, justos e decididos de mudança.
E o caminho que eu traçava eu deixei de lado, e os planos que eu construía eu abandonei, e do sentimento que eu nutria eu fiz pó. Fiz cimento, fiz viga, fiz ponte para um novo momento.
Mas antes de atravessar deixei ao chão do velho acampamento aquilo que pesava e assim ficou uma parte pequena, cansada e desesperançosa de minha alma junto a fogueira apagada.
Roguei àqueles que me antecederam proteção e um sussurro me faz relembrar que desde menina me ensinaram que erros, quedas e ilusões são meios de aprendermos sobre a vida.
Pus-me a andar, andarilha que sou.
Tropeçando um pouco no início julguei ter passado tempo demais estagnada, mas para toda evolução os primeiros passos devem ser dados. Mesmo indecisos, tortos e inseguros.
E agora desbravo novas estradas, percorro novos olhares, me encontro dentro de mim e da paixão que sinto pela vida.
Com o baralho no bolso e o pandeiro a me animar, sorrio e entendo:
"Não há como tirar da pele a possibilidade de ser ferida sem tirar-lhe a possibilidade de ser marcada, de ser beijada, de ser tocada e acariciada."
Maíra Brum.
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