Eu que antes cabia facilmente em seu colo agora preciso me arrumar de modo que não o incomode na hora de te pedir cafuné. A menina cresceu, mas continua a ser sua menina. Continua a ser uma boba-alegre, permanece com sonhos irreais, confia de certo modo em todas as pessoas e te conta (logo que chega a casa) todas as coisas que faz.
Mas nessa rotina que de certo modo não muda, tudo mudou. Por momentos percebo as linhas de tua face ficando mais fundas e presentes e em um estalo percebo: "Até pra você o tempo passa".
Pra você que é metade de mim, que me deu o gosto por meus gostos tão pessoais, que me induziu a uma vida culturalmente peculiar, que me causa mistos de sentimentos e que no fim em conjunto com Ela me deu a realidade, o prazer e a dádiva da vida.
Te olho a falar e entendo que pra você o tempo tem corrido, tem se mostrado vilão enquanto que pra mim as coisas ainda são novidades cintilantes. Estranho muito todo esse efeito das horas sobre ambos e como reagimos e de que formas superamos os acontecimentos. A vida vem a algum tempo nos pregando peças e enquanto eu me fecho e tento abafar minhas angustias você mostra as suas para mim sem pudor algum (e precisaria tê-lo ?).
Eu avanço com um olhar faminto e lhe fito olhar a vida e recordar um longínquo ontem. Amizades e parcerias tem lhe deixado e deixado uma grande saudade. Agora você sempre me mostra um rosto de pessoa que espera e observa acima de todas as coisas.
A areia tem escapado por nossos dedos e mesmo que o 'futuro' agora seja uma palavra com diferentes sentidos para cada um de nós eu sei que sempre estará presente no meu. Tua marca que a cada dia é reforçada sempre se manterá em meu ser.
Você é um homem, um sábio, um tal Manoel, o meu pai.
_ Maíra Brum
Que linda homenagem, Maíra! Manda um grande beijo para esse tal Manoel!
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