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terça-feira, 9 de abril de 2013

Um Tal Manoel

     Eu que antes cabia facilmente em seu colo agora preciso me arrumar de modo que não o incomode na hora de te pedir cafuné. A menina cresceu, mas continua a ser sua menina. Continua a ser uma boba-alegre, permanece com sonhos irreais, confia de certo modo em todas as pessoas e te conta (logo que chega a casa) todas as coisas que faz.
     Mas nessa rotina que de certo modo não muda, tudo mudou.  Por momentos percebo as linhas de tua face ficando mais fundas e presentes e em um estalo percebo: "Até pra você o tempo passa".

     Pra você que é metade de mim, que me deu o gosto por meus gostos tão pessoais, que me induziu a uma vida culturalmente peculiar, que me causa mistos de sentimentos e que no fim em conjunto com Ela me deu a realidade, o prazer e a dádiva da vida.
     Te olho a falar e entendo que pra você o tempo tem corrido, tem se mostrado vilão enquanto que pra mim as coisas ainda são novidades cintilantes. Estranho muito todo esse efeito das horas sobre ambos e como reagimos e de que formas superamos os acontecimentos. A vida vem a algum tempo nos pregando peças e enquanto eu me fecho e tento abafar minhas angustias você mostra as suas para mim sem pudor algum (e precisaria tê-lo ?).
     Eu avanço com um olhar faminto e lhe fito olhar a vida e recordar um longínquo ontem. Amizades e parcerias tem lhe deixado e deixado uma grande saudade. Agora você sempre me mostra um rosto de pessoa que espera e observa acima de todas as coisas.
     A areia tem escapado por nossos dedos e mesmo que o 'futuro' agora seja uma palavra com diferentes sentidos para cada um de nós eu sei que sempre estará presente no meu. Tua marca que a cada dia é reforçada sempre se manterá em meu ser.
     Você é um homem, um sábio, um tal Manoel, o meu pai.






_ Maíra Brum


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