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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Moleque

    Eu sou apenas mais um rosto ou nem um rosto. Sou mais um vulto em meio a tanto outros. Mas por mais que para a maioria eu não passe de uma sombra que impõe medo, eu tenho uma história. As vezes até mesmo eu a esqueça, ou ao menos tente, quem sabe toda essa minha realidade represente uma drástica intenção de
fuga.
    Eu vim de um lugar e, por mais que me ignore, eu percebo como me olha e sei exatamente o que pensa, e se não me esforço todas as vezes para mudar essa imagem é porque de certa forma eu me beneficio do teu temor.
    Na rua eu sou o "Às". Enquanto eu me viro e aprendo a dor e o prazer de ser jogado pelo mundo, você gela com palavras altas em meio ao escuro. Eu sobrevivo da tua fuga. Te enfrentando eu me protejo.
    Se eu tive chances e as joguei fora, se eu não as tive e também não tive força de vontade ou direito de escolha, sinceramente não deveria vir ao caso. O respeito não deveria ser direito de poucos.
    E não me venha com repulsa ou pena. Eu apenas quero que entenda as coisas com uma hipocrisia menos fortalecida. A vida não é feita de escolhas, percursos e resultados sempre talhados por uma perfeita lógica.
    "Mendigo, indigente, indigesto, vagabundo"*, eu sou sinceramente o resultado feio dessa equação que você participa chamada mundo.








*Trecho retirado da música "O Resto do Mundo" de Gabriel, o Pensador.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=qh5Di1c6afU








Maíra Brum

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