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sábado, 28 de dezembro de 2013

"Adeus ano Velho..."




   Eu sei que o novo ano já vem vindo e agora você passa a falar muito mais das coisas que fará com ele. Fala para os amigos e conhecidos dos planos, das metas e das promessas que eram para esse, mas ficaram destinadas ao próximo por falta de comprometimento, tempo ou memória.

    Mas eu gostaria que antes de relegar ao escuro este 2013 que ainda pisa você lembrasse dele em suas minúcias colocando na mesa todas as conquistas, todos os estragos e todas as lembranças.
    Portanto que não sejam esquecidos os dias de chuvas fortes e tempestuosas onde o medo tomou conta dos mais desprovidos e soou como brisa fraca no rosto dos mais abonados.
    Que não sejam esquecidos os dias ensolarados que levavam sorrisos às areias e corpos acalentados às ondas azul-esverdeadas.
    Que não sejam esquecidos os roubos aos cofres públicos, os furtos de sonhos, os assaltos à dignidade, os desfalques na Educação ou mesmo as fraudes do Humano.
    Que não sejam esquecidas as gargalhadas cheias de vida, os encontros com quem se gosta, os anseios puros e a confiança tão inesperada na hora que mais se precisa sobre a decisão mais grandiosa.
    Que não seja obscurecida a ideia de vida plena, o conceito de amor liberto, a sensação de ser ‘uno’, a felicidade da existência.
    E que não sejam esquecidos os rostos dos que mudaram seu mundo e assim mudaram o mundo a volta deles, ou mesmo daqueles que tiveram papel essencial em nossa vida, nossas escolhas e nosso crescimento. Mesmo não brilhando ao nosso lado a memória deles brilhará em nosso caminho.
    Que não sejam esquecidas as vitórias suadas, as conquistas compartilhadas, os presentes merecidos.

    Que não sejam esquecidas as noites de confusão, as máscaras caídas, os erros cometidos, a verdade escancarada, o novo rumo.
    Que não sejam esquecidos os dias em que se colocou o bloco na rua ou mesmo a revolta, o amor e a esperança. Que não seja esquecida a inocência, a garra, a saúde e a bonança.
    Que não sejamos esquecidos, principalmente por nós mesmo.
    E que sejamos, enfim,  um ano novo e um novo ano.
 
 
 
 
_ Maíra Brum

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dá pra relaxar ?

    Nós (eu e você) possivelmente vivemos numa rotina complicada e corrida que envolve medos, desejos, direitos e deveres. Possivelmente achando que sabemos muito de nós mesmos e que estamos conectados fielmente a linguagem de nosso próprio corpo, mas amigo (a), eu lhe digo: "Engano clichê o nosso!".
    E eu que pensava carregar a tranquilidade em mim fui acometida por uma epifania as 8:20 de uma manhã calorosa. Percebi que o leve me agonia momentaneamente e compreendi que a tempos eu apenas me via, mas não me olhava.
    Carregar peso e lidar com pesares tem se tornado tarefa fácil para nós, mas mais ainda, têm se tornado tarefa procurada por nós.
    Pergunto-te: você acha estranho quando sua bolsa/mochila está "leve demais" ? Ou mesmo acha estranho quando tudo está dando "certo demais" pra ti em qualquer instância da sua vida?
     Se respondeu "SIM" a algumas das perguntas deve ter entendido o que quero passar. Andamos tão acostumados a carregar um peso que quando nos deparamos com a leveza instantaneamente ficamos um pouco assustados. Achamos que há algo de errado e acabamos assim ou saindo com a sensação de falta ou acrescentando coisas desnecessárias a nós (mais livros na bolsa, mais dúvidas na cabeça, mais quinquilharias na mochila, mais pensamentos pra mente, ...) para nos sentirmos completos.
    Como que se nos armar pra tudo nos tornasse preparados.
    Ser tenso se tornou uma condição natural a alguns humanos, mas sinceramente não precisa ser assim. Se permita deixar de lado o peso extra e nocivo. Se permita ombros leves, pernas dispostas e descansadas e uma coluna íntegra. Se permita curtir bons momentos e viver pequenas e grandes alegrias. Se permita crer que tudo está dando certo, pois é para dar certo e PONTO.
    Deixa o excesso em casa, ou melhor, não deixa em nenhum lugar, simplesmente o queime, o apague, o anule.
    Torne as dúvidas motivação para o encontro das certezas e pare de viver curvado enquanto poderia simplesmente estar encarando de frente e de peito leve e aberto a vida.




_Maíra Brum

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ninguém Quer Um Coração Dado

    Passei um bom tempo pensando em como lhe presentear. Tantas coisas interessantes, tantas coisas que gosta e me decidir foi uma decisão arduamente concebida. Guardei-o então. Guardei o tão escolhido presente em minha mochila e fui ao teu encontro.
    Conversas descontraídas, beijos gostosos, suspiros, abraços, risadas e em um momento você resolveu buscar algo em outro cômodo.
    Eu poderia tê-lo posto em sua cama guardado em uma caixa grande, grande como a importância que ele tem, talvez embrulhado com fitas e papel que ressaltassem a sua beleza e alegria. Poderia tê-lo posto lá e saído para deixar que o momento da descoberta fosse apenas teu ou para que observasse ou admirasse da maneira que mais lhe convir.
    Poderia, mas não o fiz. Retirei-o então com cuidado da mochila e o deixei em minhas mãos a tua espera.
Ele pulsava aflito sem saber muito o que esperar, mas ansioso pelo novo lar que habitaria. Ser tratado como presente e não como martírio o fazia muito bem. E ficamos nós dois olhando um para o outro sem saber muito o que esperar.
    Até que a porta abriu e minha atenção se voltou para você. Eu te falei algumas coisas antes de deixar que percebesse o que havia em minhas mãos. Lembrei de momentos nossos, de sinais teus, de vontades minhas. Tudo que pudesse te explicar minimamente (ao menos de forma mínima pra mim) minha intenção.
    E assim você o viu.
    E enquanto minha inconsciente expectativa não se confirma você se mantem onde estava e me lança um olhar de quem não esperava o presente. Me diz que ainda não é o momento e enquanto guardo mais uma vez em minha mochila aquele que antes era só esperanças você me garante que não é a mesma coisa um coração dado.
    Me explica que é preciso esforço, que é preciso provações, lutas, insistência e esperança abalada para um coração valer a pena. Me garante que o mundo sabe que todo amor só é amor se for sofrido e se for negado.
    Eu o ouço, troco algumas palavras que expliquem o meu modo de ver esse assunto e depois saio.

    Depois de  bons passos dou ar ao meu coração. Explico tudo a ele e digo que nos enganamos. Talvez fomos precipitados achando que gostar pudesse ser algo tão leve e fácil quanto pulsar.
    Explico que as pessoas gostam do que é difícil e não simplesmente do que lhes faz bem. Que o mundo tem medo do que é simples e completo.
    E finalizo dizendo que às vezes devemos encenar e fazer pensar que nosso coração ainda não tem dono, só pra gerar empenho e provocar um roubo, mesmo sabendo no fundo que ele já seria dado.




_ Maíra Brum.