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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ninguém Quer Um Coração Dado

    Passei um bom tempo pensando em como lhe presentear. Tantas coisas interessantes, tantas coisas que gosta e me decidir foi uma decisão arduamente concebida. Guardei-o então. Guardei o tão escolhido presente em minha mochila e fui ao teu encontro.
    Conversas descontraídas, beijos gostosos, suspiros, abraços, risadas e em um momento você resolveu buscar algo em outro cômodo.
    Eu poderia tê-lo posto em sua cama guardado em uma caixa grande, grande como a importância que ele tem, talvez embrulhado com fitas e papel que ressaltassem a sua beleza e alegria. Poderia tê-lo posto lá e saído para deixar que o momento da descoberta fosse apenas teu ou para que observasse ou admirasse da maneira que mais lhe convir.
    Poderia, mas não o fiz. Retirei-o então com cuidado da mochila e o deixei em minhas mãos a tua espera.
Ele pulsava aflito sem saber muito o que esperar, mas ansioso pelo novo lar que habitaria. Ser tratado como presente e não como martírio o fazia muito bem. E ficamos nós dois olhando um para o outro sem saber muito o que esperar.
    Até que a porta abriu e minha atenção se voltou para você. Eu te falei algumas coisas antes de deixar que percebesse o que havia em minhas mãos. Lembrei de momentos nossos, de sinais teus, de vontades minhas. Tudo que pudesse te explicar minimamente (ao menos de forma mínima pra mim) minha intenção.
    E assim você o viu.
    E enquanto minha inconsciente expectativa não se confirma você se mantem onde estava e me lança um olhar de quem não esperava o presente. Me diz que ainda não é o momento e enquanto guardo mais uma vez em minha mochila aquele que antes era só esperanças você me garante que não é a mesma coisa um coração dado.
    Me explica que é preciso esforço, que é preciso provações, lutas, insistência e esperança abalada para um coração valer a pena. Me garante que o mundo sabe que todo amor só é amor se for sofrido e se for negado.
    Eu o ouço, troco algumas palavras que expliquem o meu modo de ver esse assunto e depois saio.

    Depois de  bons passos dou ar ao meu coração. Explico tudo a ele e digo que nos enganamos. Talvez fomos precipitados achando que gostar pudesse ser algo tão leve e fácil quanto pulsar.
    Explico que as pessoas gostam do que é difícil e não simplesmente do que lhes faz bem. Que o mundo tem medo do que é simples e completo.
    E finalizo dizendo que às vezes devemos encenar e fazer pensar que nosso coração ainda não tem dono, só pra gerar empenho e provocar um roubo, mesmo sabendo no fundo que ele já seria dado.




_ Maíra Brum.

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