Eu sei que o novo ano já vem vindo e agora você passa a falar muito mais das coisas que fará com ele. Fala para os amigos e conhecidos dos planos, das metas e das promessas que eram para esse, mas ficaram destinadas ao próximo por falta de comprometimento, tempo ou memória.
Mas eu gostaria que antes de relegar ao escuro este 2013 que
ainda pisa você lembrasse dele em suas minúcias colocando na mesa todas as
conquistas, todos os estragos e todas as lembranças.
Portanto que não sejam esquecidos os dias de chuvas fortes e
tempestuosas onde o medo tomou conta dos mais desprovidos e soou como brisa
fraca no rosto dos mais abonados.
Que não sejam esquecidos os dias ensolarados que levavam
sorrisos às areias e corpos acalentados às ondas azul-esverdeadas.
Que não sejam esquecidos os roubos aos cofres públicos, os
furtos de sonhos, os assaltos à dignidade, os desfalques na Educação ou mesmo
as fraudes do Humano.
Que não sejam esquecidas as gargalhadas cheias de vida, os
encontros com quem se gosta, os anseios puros e a confiança tão inesperada na
hora que mais se precisa sobre a decisão mais grandiosa.
Que não seja obscurecida a ideia de vida plena, o conceito
de amor liberto, a sensação de ser ‘uno’, a felicidade da existência.
E que não sejam esquecidos os rostos dos que mudaram seu
mundo e assim mudaram o mundo a volta deles, ou mesmo daqueles que tiveram
papel essencial em nossa vida, nossas escolhas e nosso crescimento. Mesmo não
brilhando ao nosso lado a memória deles brilhará em nosso caminho.
Que não sejam esquecidas as vitórias suadas, as conquistas
compartilhadas, os presentes merecidos.
Que não sejam esquecidas as noites de confusão, as máscaras
caídas, os erros cometidos, a verdade escancarada, o novo rumo.
Que não sejam esquecidos os dias em que se colocou o bloco
na rua ou mesmo a revolta, o amor e a esperança. Que não seja esquecida a inocência, a garra, a saúde e a
bonança.
Que não sejamos esquecidos, principalmente por nós mesmo.
E que sejamos, enfim,
um ano novo e um novo ano.
_ Maíra Brum
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