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sábado, 28 de dezembro de 2013

"Adeus ano Velho..."




   Eu sei que o novo ano já vem vindo e agora você passa a falar muito mais das coisas que fará com ele. Fala para os amigos e conhecidos dos planos, das metas e das promessas que eram para esse, mas ficaram destinadas ao próximo por falta de comprometimento, tempo ou memória.

    Mas eu gostaria que antes de relegar ao escuro este 2013 que ainda pisa você lembrasse dele em suas minúcias colocando na mesa todas as conquistas, todos os estragos e todas as lembranças.
    Portanto que não sejam esquecidos os dias de chuvas fortes e tempestuosas onde o medo tomou conta dos mais desprovidos e soou como brisa fraca no rosto dos mais abonados.
    Que não sejam esquecidos os dias ensolarados que levavam sorrisos às areias e corpos acalentados às ondas azul-esverdeadas.
    Que não sejam esquecidos os roubos aos cofres públicos, os furtos de sonhos, os assaltos à dignidade, os desfalques na Educação ou mesmo as fraudes do Humano.
    Que não sejam esquecidas as gargalhadas cheias de vida, os encontros com quem se gosta, os anseios puros e a confiança tão inesperada na hora que mais se precisa sobre a decisão mais grandiosa.
    Que não seja obscurecida a ideia de vida plena, o conceito de amor liberto, a sensação de ser ‘uno’, a felicidade da existência.
    E que não sejam esquecidos os rostos dos que mudaram seu mundo e assim mudaram o mundo a volta deles, ou mesmo daqueles que tiveram papel essencial em nossa vida, nossas escolhas e nosso crescimento. Mesmo não brilhando ao nosso lado a memória deles brilhará em nosso caminho.
    Que não sejam esquecidas as vitórias suadas, as conquistas compartilhadas, os presentes merecidos.

    Que não sejam esquecidas as noites de confusão, as máscaras caídas, os erros cometidos, a verdade escancarada, o novo rumo.
    Que não sejam esquecidos os dias em que se colocou o bloco na rua ou mesmo a revolta, o amor e a esperança. Que não seja esquecida a inocência, a garra, a saúde e a bonança.
    Que não sejamos esquecidos, principalmente por nós mesmo.
    E que sejamos, enfim,  um ano novo e um novo ano.
 
 
 
 
_ Maíra Brum

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dá pra relaxar ?

    Nós (eu e você) possivelmente vivemos numa rotina complicada e corrida que envolve medos, desejos, direitos e deveres. Possivelmente achando que sabemos muito de nós mesmos e que estamos conectados fielmente a linguagem de nosso próprio corpo, mas amigo (a), eu lhe digo: "Engano clichê o nosso!".
    E eu que pensava carregar a tranquilidade em mim fui acometida por uma epifania as 8:20 de uma manhã calorosa. Percebi que o leve me agonia momentaneamente e compreendi que a tempos eu apenas me via, mas não me olhava.
    Carregar peso e lidar com pesares tem se tornado tarefa fácil para nós, mas mais ainda, têm se tornado tarefa procurada por nós.
    Pergunto-te: você acha estranho quando sua bolsa/mochila está "leve demais" ? Ou mesmo acha estranho quando tudo está dando "certo demais" pra ti em qualquer instância da sua vida?
     Se respondeu "SIM" a algumas das perguntas deve ter entendido o que quero passar. Andamos tão acostumados a carregar um peso que quando nos deparamos com a leveza instantaneamente ficamos um pouco assustados. Achamos que há algo de errado e acabamos assim ou saindo com a sensação de falta ou acrescentando coisas desnecessárias a nós (mais livros na bolsa, mais dúvidas na cabeça, mais quinquilharias na mochila, mais pensamentos pra mente, ...) para nos sentirmos completos.
    Como que se nos armar pra tudo nos tornasse preparados.
    Ser tenso se tornou uma condição natural a alguns humanos, mas sinceramente não precisa ser assim. Se permita deixar de lado o peso extra e nocivo. Se permita ombros leves, pernas dispostas e descansadas e uma coluna íntegra. Se permita curtir bons momentos e viver pequenas e grandes alegrias. Se permita crer que tudo está dando certo, pois é para dar certo e PONTO.
    Deixa o excesso em casa, ou melhor, não deixa em nenhum lugar, simplesmente o queime, o apague, o anule.
    Torne as dúvidas motivação para o encontro das certezas e pare de viver curvado enquanto poderia simplesmente estar encarando de frente e de peito leve e aberto a vida.




_Maíra Brum

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ninguém Quer Um Coração Dado

    Passei um bom tempo pensando em como lhe presentear. Tantas coisas interessantes, tantas coisas que gosta e me decidir foi uma decisão arduamente concebida. Guardei-o então. Guardei o tão escolhido presente em minha mochila e fui ao teu encontro.
    Conversas descontraídas, beijos gostosos, suspiros, abraços, risadas e em um momento você resolveu buscar algo em outro cômodo.
    Eu poderia tê-lo posto em sua cama guardado em uma caixa grande, grande como a importância que ele tem, talvez embrulhado com fitas e papel que ressaltassem a sua beleza e alegria. Poderia tê-lo posto lá e saído para deixar que o momento da descoberta fosse apenas teu ou para que observasse ou admirasse da maneira que mais lhe convir.
    Poderia, mas não o fiz. Retirei-o então com cuidado da mochila e o deixei em minhas mãos a tua espera.
Ele pulsava aflito sem saber muito o que esperar, mas ansioso pelo novo lar que habitaria. Ser tratado como presente e não como martírio o fazia muito bem. E ficamos nós dois olhando um para o outro sem saber muito o que esperar.
    Até que a porta abriu e minha atenção se voltou para você. Eu te falei algumas coisas antes de deixar que percebesse o que havia em minhas mãos. Lembrei de momentos nossos, de sinais teus, de vontades minhas. Tudo que pudesse te explicar minimamente (ao menos de forma mínima pra mim) minha intenção.
    E assim você o viu.
    E enquanto minha inconsciente expectativa não se confirma você se mantem onde estava e me lança um olhar de quem não esperava o presente. Me diz que ainda não é o momento e enquanto guardo mais uma vez em minha mochila aquele que antes era só esperanças você me garante que não é a mesma coisa um coração dado.
    Me explica que é preciso esforço, que é preciso provações, lutas, insistência e esperança abalada para um coração valer a pena. Me garante que o mundo sabe que todo amor só é amor se for sofrido e se for negado.
    Eu o ouço, troco algumas palavras que expliquem o meu modo de ver esse assunto e depois saio.

    Depois de  bons passos dou ar ao meu coração. Explico tudo a ele e digo que nos enganamos. Talvez fomos precipitados achando que gostar pudesse ser algo tão leve e fácil quanto pulsar.
    Explico que as pessoas gostam do que é difícil e não simplesmente do que lhes faz bem. Que o mundo tem medo do que é simples e completo.
    E finalizo dizendo que às vezes devemos encenar e fazer pensar que nosso coração ainda não tem dono, só pra gerar empenho e provocar um roubo, mesmo sabendo no fundo que ele já seria dado.




_ Maíra Brum.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Divide Comigo

    Eu sei que você não gosta de assumir, mas eu percebo que seus olhares andam baixos demais. Dá pra perceber sua alegria em alguns poucos momentos se tornar pensamentos vagos e distantes de toda e qualquer beleza.
    Realmente eu não posso dizer que sei pelo que está passando, na verdade eu só sei sobre você o que você permite mostrar para mim. Talvez muito, talvez muito pouco, mas ao menos é algo.
    E por esse punhado de coisas que já conheço eu lhe digo que não está em um de seus melhores momentos. Acertei ?
    Escuta... ou melhor, leia.
    Sabe aquele plano que não deu certo ? Aquele rapaz/moça que não demonstrou o carinho esperado ? Aquela prova que não se deu bem ? Aquela pessoa que te magoou ? Aquele obstáculo difícil ? Aquela lembrança que causa dor ?
    Sabe 'Aquele', 'Aquela', 'Aquilo' que não tá no lugar certo ?
    Deixa seguir seu plano, ou melhor, não o seu, mas o melhor para você.
    Nem tudo o que almejamos deve ser nosso e eu admito que o destino cuida desses avisos de um modo nada, nada, nadinha mesmo carinhoso. Ele nos mostra do modo mais cru, mais frio e mais convincente.
    Se ele te deixasse continuar por onde não deve é fato que a queda, o choro e a dor de cabeça seria MUITO maior.
    Mas ok, você não quer me ouvir dissertar sobre como a vida tem significados ocultos, como o universo conspira pro nosso desenvolvimento ou mesmo que não adianta: "o que tiver de ser, será".
    Você quer....... uma companhia.

"(...)que eu nem mensuraria o real valor delas e apenas as abraçaria ao abraçar você."


    Alguém para falar sem represálias e fórmulas mágicas. Então, divide esse peso comigo.
    Divide essas aflições tão pequenas e tão só suas que eu nem mensuraria o real valor delas e apenas as abraçaria ao abraçar você.
    Divide comigo seus pensamentos tão pessimistas que pesam seus ombros não deixando você ser você. Divide seus medos, suas broncas, seu dia ruim, sua hora enfadonha. Divide comigo o que te faz mal que assim eu terei metade dos teus ombros para também dividir o que pesa nos meus.
    E nesse ato de compartilhar perceberemos que amizade é perceber e fazer perceber que o mundo não é tão frio e calculista. Que o mundo e o outro podem ser a pilastra que nos falta para equilibrar as coisas.
    E que a amizade pode ser um porto sincero e seguro para nos abrigar das tormentas.





_ Maíra Brum

domingo, 3 de novembro de 2013

Meus 20 e poucos anos

    Minha infância talvez tenha sido um tanto quanto boa, repleta de amor, carinho, brincadeiras que marcavam a pele, castigos que duravam eternidades, passeios em família que preenchiam de descobertas todos os minutos, festas que eram aproveitadas até os últimos segundos, gostos que se transformavam a cada contato, vontades efêmeras e uma curiosidade nata.
    Minha adolescência talvez tenha sido um tanto quanto bem vivida com os primeiros e desajeitados namoros, com o medo das iniciais e grandes escolhas, com o prazer sendo vivido de forma mais intencional, com conversas que tomavam um novo tom, com teimosias e achismos tão fortes e presentes, com erros mais sérios e vitórias que traziam um reconhecimento esperado.
    Mas um fato para mim é que não sigo a linha comum dos que olham para trás e gostariam de reviver as fases maternais ou 'inconsequentes", dos que se olham no espelho analisando seu caminho e gostariam de voltar ao colo e aos dias onde não tinham preocupações nem compromissos.
    Eu na verdade sinto em mim que a melhor fase de mim é o agora ou mais especificamente falando: os meus Vinte e Poucos anos.

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    Você bem que poderia estar ao meu lado e compartilhar desse caminho comigo. Um caminho do qual não tenho muita certeza, mas também não tenho muito medo, pois mesmo sem conseguir mensurar as luzes vibrantes no fim da estrada eu sei que elas me esperam e eu sigo com essa certeza incerta.
    Mas não faz mal, talvez você ainda não tenha amadurecido algumas ideias e enquanto você para eu corro. E enquanto você se fecha eu me expando. E enquanto você teme quebrar a cara eu rio com vontade e imensidão na cara do perigo.
    Pois no fim das contas, meu amigo (a) eu tenho meu caminho para modelar de acordo com meus desejos e se me falam que a vida é pra ser batalhada, pra ser suada, pra ser valorosa, adulta e sofrida eu me afasto um pouco desse mundo visto com lentes preto/branco e provo com equações, poesias, estatísticas e dança que não há nenhum decreto que me force a crer que meus pesares e desafios não possam ser vividos de forma consciente, leve e feliz.
    Feliz por ser aprendizado, feliz por ser algo que marca, mas que não irá me matar. Feliz porque eu sinto em mim que a vida é muito e muito pouco para se perder tempo com o que é medíocre e sem significado.
    Feliz, leve e consciente por ser vida, por ser minha, por ser plena enquanto durar.

    E eu dou mais um passo nessa fase (?) deliciosa.
    Achando graça de mim, percebendo o mundo cheio de graça e dando graças por tudo.


Parabéns para mim !


    "Você já sabe, me conhece muito bem e eu sou capaz de ir e vou muito mais além do que você imagina.
      Eu não desisto assim tão fácil, meu amor, das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz.
      Na vida tudo tem seu preço, seu valor e eu só quero dessa vida é ser feliz."






_ Maíra Brum.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Eu Me Lembro...

    E eu ainda lembro do meu primeiro amor, ou do primeiro ser a quem julguei amar (além de minha família).
    Um amor que não me consumia, por tudo em mim ser ainda pequeno, mas um amor 'carinhado', de mãos dadas, segredos no ouvido e vergonha do mundo.
    Lembro com uma certa névoa do rosto infantil que me despertou uma vontade inocente de se estar colado, coladinho. Do menino de jaqueta de couro, perfume diferente e super popular que olhou para mim e (não lembro como nem quando) começou a me namorar.
    Lembro de alguns presentinhos que ganhei e da cartinha que em uma aula lhe escrevi. Lembro de temer contar a minha mãe sobre o 'nós' por já entender que amor naquele idade era algo proibido. Lembro de dividir com minhas amigas as ansiedades puras e belas de alguém que gostava e a felicidade de ser chamada de "Linda".
    Meu primeiro beijo foi dado a ele durante uma aula especial, debaixo da mesa da biblioteca. Invejosas nos deletaram à professora e eu neguei. Acho que foi nessa época (e por necessidade) que aprendi a mentir.
    E eu lembro também de quando com o coração partido (por saber que ele não era mais só meu) eu menti dizendo para a professora na frente de todos da turminha que dele não gostava.





    Recordo o fato daquele amor acabar e nascer uma amizade infantil com trocas de confidências e opiniões sobre novos amores. Um contato que com a separação das escolas se dissolveu feito açúcar, feito sonhos, feito lembrança.
    Os anos passaram e eu tive amores mais intensos e mais carnais, tive desilusões fortes e de certa forma devastadoras (devastação que abriu espaço para um nova e melhor Maíra). Tive namoros longos, curtos e indefiníveis. Tive amigos-amores, amores que não eram amigos e um tempo que passou um pouco que correndo demais.
   E mesmo hoje eu sinto uma sincera simpatia por amores inocentes com cara de "forte por vidas e vidas" e com um toque de "eterno enquanto dure" como aquela menina teve em sua infância.
   E fica em mim a certeza de que quase todos os amores são lembrados, mas de fato o primeiro amor sempre marca.


Bruno, espero que seus caminhos tenham sido tão ou mais surpreendestes que os meus. Obrigada por ter me dado histórias para compor essa crônica.



_ Maíra Brum.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Voz De Dentro

    Não sei exatamente em que ponto parei de prestar atenção ao mundo e comecei a me ouvir. Não sei exatamente, pois foi algo sentido de forma brusca de tempos em tempos não determinados. Algo vivenciado de modo intenso, sem endereço e remetente, mas com meu Amor Próprio como destinatário.
    Calar o mundo e ouvir meu universo fez o verde ser mais verde, a confiança ser mais forte, a alegria ser mais contagiante e o amor ser mais livre.
    Calar o mundo me deu calor em viver meus sonhos e vontade inabalável em ajudar os sonhos alheios; me permitiu viajar por minhas múltiplas formas de ser e aceitar com tranquilidade as múltiplas resultantes de meus atos.
    Dizer "Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuu" para as vozes que não tem o mesmo tom e que vibram de forma diferente da minha me trouxe paz e deixou limpa e bela uma sinfonia de sons amigos.
    Não que as outras vozes tenham se calado, muito pelo contrário, aparentemente querem falar ainda mais alto, mas meu ouvido (que tem sido treinado) com paciência e sabedoria tem sabido separar e diferenciar a música e o ruído.
    E sigo eu num sem fim de melodias mutáveis que fortalecem ainda mais a voz sincera que vem de dentro de mim.





_ Maíra Brum.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sapos Que Não Engulo

    Talvez você tenha conseguido deturpar tanto a sua mente que pense que suas teorias são tudo o que é necessário para esse Brasil seguir.
    Talvez para você só suas obras faraônicas, seus eventos estrondosos e seus gastos absurdos com futilidades sejam o TUDO que a população precisa.
    Talvez você tenha um dia olhado no espelho e tido a certeza que para chegar onde chegou jamais precisou de alguém além de si.
    Ou mesmo já tenha nascido com essa auto-suficiência e seja para nós, meros mortais da dualidade dependente-independente, uma tarefa muito difícil entender essa presença tão nata.
    Talvez você tenha se desiludido com alguém na vida política e tenha assim agregado para si que fazer o que é errado é melhor para todos.
    Talvez você tenha se desiludido com alguém da sua família e tenha transferido esse ressentimento para todo um povo.
    Talvez você seja refém de contratos, políticos amigos e negociatas.
    Talvez você não tenha dimensão da raiva e transtorno que assola a maioria das pessoas.





     Talvez você nunca tenha precisado frequentar a escola, sabendo desde sempre efetuar contas, corrigir erros de gramática, discursar sobre a trajetória do Brasil ou mesmo sobre fenômenos físicos, químicos e sociais.
    Talvez você nunca tenha ficado doente, precisando assim ser atendido as pressas para curar algo que típicos remédios não resolveriam. Talvez nunca tenha precisado de uma opinião especializada para um problema ou talvez nunca tenha tido problemas.
    Talvez você nunca tenha necessitado de segurança ou ao menos de sentir que sair a rua ou fazer qualquer coisa não denotará um perigo que pode lhe tirar a vida.

    Talvez você pense que é o maioral, o chefão, o manda-chuva, o senhor dos senhores, o rei da cocada preta ou o digníssimo e tenha esquecido que as mídias, as mentes e as lutas estão mais atentas, abertas e fortalecidas.
    Talvez você tenha se transvestido de DEUS e entenda que nada nem ninguém  além da sua grandiosa presença, dos seus poderosos trovões e dos seus esplendorosos mandamentos deva ser seguido.

    Talvez você esteja com medo e só esteja usando de violência para retomar um controle ilusório.
    Talvez você caia.

Assim espero.




_ Maíra Brum

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Olhos nos Olhos"

http://www.youtube.com/watch?v=PizNex3ldmU  _ Olhos nos Olhos _ Chico Buarque

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    Não havia como pensar que não era você. Um jeito de andar e um corpo que eu vivi e amei por um tempo que não se determina. Um jeito de olhar que nunca passaria desapercebido a mim, ao meu medo, aos meus dias que sempre me deixaram a dúvida de como seria lhe rever.
    Um sonho não programado me trouxe você e me forçou a refletir.

    O tempo passou, eu provei de outros gostos, desgostos e alegrias mais plenas do que as que vivi com você.
    E hoje eu (acho que) te perdoo.
    Te perdoo por ter lutado de uma forma obscura por nosso amor, por ter manchado um pouco do meu jeito romântico que antes era tão puro.
    Te perdoo por ter me ferido com palavras avulsas e ter tentado curar essas marcar com uma paixão que não me dava vida, me fulminava.
    Te perdoo por achar que era meu dono, sem perceber que eu te queria como um amor, como um amigo, como um homem.
    Te perdoo por me trair de pequenas formas, por se vingar por pequenas coisas, por ter minado o que nós tínhamos.

    Mas para te perdoar eu precisei durante dias entender que o perdão devia ser a mim. Então...
    Eu me perdoo por ter me deixado levar de uma forma que a palavra era apenas tua e o relacionamento era apenas teu e não nosso.
    Eu me perdoo por ter deixado calada tantas miúdas mágoas que me corroíam e depois aquietavam pelo prol do nosso relacionamento.
    Eu me perdoo por tê-lo mimado, por tê-lo compreendido em excesso e por não ter tido iniciativa para lhe mostrar que sua pretensão não tinha nenhum embasamento se não o seu ego elevado.
    Eu me perdoo por não ter ouvido aqueles que de fato me amavam e me viam perder o brilho a cada dia.
    Eu me perdoo por ter dado um basta, mas por fraqueza ter permitido uma segunda tentativa.
    Mas mais ainda...
    Eu me perdoo por ter pensado algum dia que aquele tipo de amor era o que eu precisava.


    E me perdoando para nos perdoar eu perco o medo de um dia lhe ver na vida real. De um dia cruzar com teu olhar em uma esquina de um dia normal onde eu não espere nenhuma surpresa. Eu perco a raiva, eu perco a mágoa e perco a insegurança de me entregar maravilhosamente (de forma mais sábia) a outra pessoa.
    Nos perdoando eu me dou uma nova chance, eu me permito um caminhar mais leve, pois hoje eu deixo no passado o que passou. 
    E você passou.


    Até nunca mais ou até breve, JS.



_Maíra Brum

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Vem Pra Cá!

Para ouvir:
http://www.youtube.com/watch?v=dD6MedpQykI   _  "Pra Você Dar o Nome" por  5 a Seco

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    Sabe aquela discussão na noite de segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo ?
    Não esquece, para o aprendizado não ser perdido, mas deixa ela de lado agora.
    Deixa ela ficar no passado que é no passado que coisas que não somam devem ser guardadas. Deixa ela e seus palavrões e palavrinhas no escuro, de cara para a parede, pensando no que fizeram e vem me fazer companhia.
    Vem com teus olhos que não me escondem muita coisa, mas que ficam escondidos por um pouco de sombra que qualquer e toda  luz faz em seu rosto. Vem com aquele andar marcado que de lá, longe, da esquina do meu bairro tão mais ou menos eu já percebo, defino e admiro. E se chegue, se aconchegue e me dê aquele abraço tão apertado que o ar que me faltar só me trará certeza do nosso carinho.
    Vem sem tempo limite, sem paciência limite, sem amor limite, sem entrega limite. Vem ilimitado pra mim, para nós, para o nosso agora.
    E não deixa o que não ficou resolvido querer se resolver agora. Não deixa a duvida atrapalhar o nosso momento de certo desejo, de certo respeito. De certo, ótimo.
    Joga a dúvida pra próxima página, pra debaixo do tapete, pro cantinho do cantinho de um quarto. Tá certo que não seria o modo certo de solucionarmos tudo, mas agora eu não quero solução, eu desejo me saciar. Saciar da tua risada gostosa, me saciar das tuas histórias malucas e confusas, me saciar da tua forma de ver as coisas, me saciar (por que não ?) da tua pele e boca. Mesmo tendo subtendido em nós que "saciar" e "eu+você" não combinam nem habitam na mesma sentença.
    Guarda tudo: chaves, carteira, celular, mochila e roupas.
    Guarda tudo o que puder atrapalhar e me deixa te guardar onde sempre lhe guardei. Junto a mim. Junto ao "eu" melhor que sou com você. Junto aos nossos não planejados planos, não confirmados anseios, junto de nosso afeto.
    E assim de manhã, de tarde e numa próxima noite eu quero te lembrar e nos lembrar com visão, audição, tato, olfato e paladar que do lado do que nos faz bem é que a vida fica completa e única.
   Então...


    Vem pra cá !







_ Maíra Brum

domingo, 4 de agosto de 2013

Pra Lhe Deixar

Para ambientar a leitura:
  http://www.youtube.com/watch?v=E8i5dwFkHKY   _  Ex-amor por Diogo Nogueira


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    Desperto de nossa realidade para um instante de escolha. O pensamento que antes decorrente eu afastava, hoje será/é assumido: "Tenho que ir".
    Não quero de ti promessas que me façam ter qualquer certeza além da que eu tenho em mim: "precisamos nos permitir ser feliz". Não sermos, mas exatamente ser, cada qual individualmente em um novo caminho.
    Te pego pela mão e começo a te guiar por nossa casa. Enfim percebe as coisas que mudaram. As coisas que arrumei para nossa despedida. Porta-retratos espalhados por todos os cantos eu pus, com fotos que nos façam ver os momentos mais espontâneos e felizes de nossa estrada. Nossas caretas, nossas desculpas, nossos sonos e sonhos que com o tempo deixaram de brilhar, mas que como lembrança ou saudade conformada serão eternamente belos e valiosos.
    E num certo cômodo você sente um cheiro e recorda. É o cheiro de primeiro perfume que me deu e que contrariando as crenças femininas e familiares não nos provocou brigas, mas sim risos e chamegos. Digo que é cheiro de começo. Um começo que agora eu lhe presenteio.
    Lágrimas já eram esperadas e com elas eu dou o toque final ao teu prato predileto. Aquele que consegui aprender a fazer melhor que sua mãe e avó. O único na verdade que consegui essa proeza. Te sirvo então usando uma bela roupa que nunca vira e que ressalta partes de mim que esquecera. Quero lhe sinalizar suavemente a mudança.
    Mas a mudança não é pra ti. Ela é para mim, por nós. Por nosso carinho que não quero exterminar com a insistência, por nosso respeito que não quero perder por conta das brigas, por nosso amor que desejo sempre amável, sempre afeto, sempre bem-vindo.
    E continuo dando os últimos passos na mesma estrada que ainda é tua, fazendo de tudo para lembrar e esquecer de nós da melhor forma.
    E a dor ?
    Deixa a dor doer sozinha e calada, ao menos hoje ela não vai nos tirar a beleza de todas as outras coisas. Deixa ela ferir num outro tempo, por outra história.
    Na despedida ameaçamos um beijo. Por costume ou vontade ? (não sabemos ao certo) Mas é melhor evitar. Um beijo agora só teria a intenção de adiar o inadiável.
    Te dou um abraço forte, olho nos teus olhos tão conhecidos pelos meus. Lhe abro um sorriso.
    E no fim de tudo meu intuito é nos deixar para nos permitir.





_ Maíra Brum

sábado, 20 de julho de 2013

Eu Te Amo

    Eu sei que normalmente não lhe falo muito sobre o que sinto. Ás vezes por pensar que não entenderia, outras por pensar que me julgaria ou mesmo por pensar que você tem problemas demais para se preocupar logo com os meus.
    E às vezes quando as coisas me sufocam ao ponto de me deixar estagnada eu recorro aos teus ombros, olhos e ouvidos na esperança de aliviar o que me consome. E eu consigo.
    Você pode nem sempre me definir com precisão, mas sabe a hora certa de um abraço, de uma piada, de um reconfortante silêncio.
    Você pode não compartilhar de meus gostos e sonhos, mas nossas risadas e princípios sempre caminham de mãos dadas e se dão bem juntos.
    Você pode nem sempre estar perto, mas eu sei que se algo em meu caminho der errado ou algo em teu dia não sair como o planejado, por intuição, elo ou mesmo notícias e cochichos saberemos um do outro e ofereceremos auxílio.

    E se eu sumo, te animo, te perturbo, te ajudo, te critico, te mimo, te aconselho e "te" mais um mundo de mundos é simplesmente porque (indo contra a todos os conceitos fechados e vendidos de um sentimento que só exala paixão e desejo e indo contra a minha insegurança de demonstrar algo tão grandioso) Eu Te Amo.

    Te amo, pois secou minha tristeza e me provocou doces e felizes lágrimas.
    Te amo, pois riu meus risos e me provocou risadas de tirar o fôlego.
    Te amo por teus erros, por explicar os meus erros e por tuas únicas e belas qualidades.
    Te amo por seu uma mulher linda e por ser um homem belo.

    Então explico que digo que Te amo, pois depois de tanto ou tão pouco tempo não há sentimento melhor ou mais completo para expressar o que sinto do que esse algo que não se mede, não se resume e só se expressa: O Amor Amigo.


    Feliz dia do "eu vou te ligar essa semana" ,
  • do "nossos filhos serão amigos",
  • do "você merece coisa melhor",
  • do "meniiiiinaa, nem te conto...",
  • do "eu bem que te avisei",
  • do "você sempre pode contar comigo",
  • do "não há distância que nos separe",
  • do "Rapazzz, tu não sabe o que aconteceu..." ,
  • do "preciso de um abraço",
    Mas principalmente feliz dia do "Eu te amo !" ou mais comumente usado: Feliz dia do Amigo !





Maíra Brum.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Minha Geração: Nativos Digitais

    Motivada  por essa onda de protestos dando resultados eu relembrei de adultos que sempre me falavam de uma geração acomodada, uma geração que só queria saber de ficar em frente a TV, ao computador ou mexendo no celular e que comendo porcarias nem tentavam se passar por rebeldes sem causa.
    Eles falavam sem muito carinho da geração que não passou pela Ditadura nem sentiu na pele o Impeachment do Collor. Nascidos no fim da década de 1980 (variando essa marca) em diante. 
    Citavam sobre a geração que se perde em mundos virtuais e deixa pra depois a vida real.
    "Jovens sem gosto pela luta, sem consciência política, sem lenço nem documento, muito menos força de vontade". Ao menos era assim que éramos pintados.
    E me deparando com cartazes de frases diversas eu gostaria de deixar claro que não adianta colocar "Mentos" na Coca-Cola, pois nós não somos a geração retratada na música de Renato Russo. Somos os filhos dela.
    Nós não somos só gás como nossos pais foram taxados. Nem vivemos apenas de ameaças. Somos a profecia das "crianças derrubando reis."


Nativos Digitais



    Nós que mergulhados em páginas, grupos e sites formamos parte de nossa personalidade escrevemos com nosso toque um novo rumo.
    E se aos olhos deles nós éramos seres inanimados o susto foi imenso ao ver nossa mobilização. O gigante já andava se espreguiçando por entre números binários e imagens compartilhadas. Só faltava a ele ganhar as ruas. E assim se fez.

    Agora eu posso contar de um momento passado em que falaram mal da minha geração que hoje faz história. 
    E aqueles que criticavam sabem que falavam dos Nativos Digitais que estão fazendo mais que a dita Geração Coca-Cola.






Maíra Brum.

sábado, 8 de junho de 2013

E se eu me entregar ? (dois em um)

    E se a frase que intitula essa postagem me diz muito, nada mais justo que escrever dois textos.
    Nada mais justo que agradecer a inspiração tão inesperada e confessar que ao meu ver se entregar é um doce veneno e um concentrado antídoto.



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 Você abre seus olhos, dá um "Bom Dia" ou seu silêncio ao mundo e inicia mais um pouco de caminhar.
    Você sente que seu corpo e sua personalidade querem e pedem mais, mas lhe trancaram tanto dentro de si que liberdade é algo que não sabe se existe.
    E de topadas em topadas. De insegurança em insegurança você segue sua trilha.

    Você sabe muito bem o que dizem por aí sobre ser pleno: "Se entregar é besteira, só traz prejuízos e arrependimentos".
    E a cada novo horizonte e oportunidade que brilha somos desencorajados, somos postos em um estado de medo. Somos sujeitados a superficialidade segura.
    Mas e se nós nos entregarmos indo contra as vozes escondidas e incubadas ?
    E se eu pensar que na minha vez vai ser diferente e eu chegarei onde almejo ?

    Seja na profissão, seja na família, seja no amor ou na vida por completo. Talvez seja válido se jogar sem olhar pra trás e sem se preocupar com a distância até o chão.



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   Eu tenho faixas que atam minhas mãos e pés. Faixas que me prendem, me poupam, me reduzem, me salvam e enclausuram em ações pequenas, olhares furtivos, toques rápidos.
    Eu sigo com personalidade arredia e a cada nova tempestade limpo com cuidando cada fio e linha na tentativa de não deixar minhas faixas mais entranhadas do que já estão. Eu cuido delas.
    Minhas faixas são parte de mim, mas quem sabe talvez você saiba aliviá-las. Quem sabe você que as olhou de forma tão atenta possa afrouxá-las com carinho e soltando alguns nós me fazer caminhar melhor.
    Quem sabe com paciência você me livre dessa rotina que já pensava ser a única pra mim e me mostre como é diferente me expressar de forma ampla, de forma plena, sem restrições.
    E eu penso que gostaria que fosse você a me dar o sentido de liberdade mesmo que fosse para simplesmente roubá-lo depois de me conquistar.
    E eu penso que seria ótimo se você com zelo pusesse abaixo todas as barreiras e me deixasse enxergar melhor o mundo que habito.
    Eu tenho faixas e as chamo de Medo, as chamo de Frustrações Anteriores, as chamo de Insegurança  e quando estou em paz com elas as denomino apenas como Cuidado.
   Eu tenho faixas, mas penso que poderíamos cortar nossas tão pessoais amarras, colocar os tecidos puídos em uma caixinha de segurança e enfim nos entregar.














_ Maíra Brum






 

domingo, 26 de maio de 2013

Eu Quero Segurar Sua Mão

Olhos fechados.
A minha fala se perde e em mim apenas há o desejo de não errar, de não te afastar.
Ela: Eu apenas queria...
Ele: Eu apenas queria...

...chegar mais perto. E chegaria mais perto na tentativa de entender porque me sinto assim.
Ela: Quem sabe talvez seja só impressão minha.
Ele: Será que poderia acontecer alguma coisa (?).

São tantas as diferenças e mesmo assim há algo que me chama, algo que me fascina, que me envolve e sem que eu resista, domina. Eu poderia conhecer seu universo, poderia tentar olhar de forma mais atenta para o seu mundo.Pois ao fim de...
Ela: devaneios e reflexões...
Ele: equações e contas...

... eu quero ser alguém pra ti e mais perto chegar para segurar sua mão.

E por mais que eu não saiba ao certo como agir, como falar ou como me tornar mais interessante aos seus olhos acho que não faria mal tentar. Tenho em mim que vale a pena lhe querer, que valeria a pena construir. Que você é mais.
Mais do que...
Ela: Aqueles...
Ele: Aquelas...

... que passaram por meu caminho e deixaram apenas pegadas fracas.

Teu caminho cruza o meu. Meu olhar cruza com o teu. Eu respiro buscando o ar...
Ela: Bom dia...
Ele: Bom dia...

...e caminhamos na mesma direção em uma extensa conversa.
Você sorri puxando assunto e no fundo eu apenas penso...
Ela: Como é bom tê-lo por perto.
Ele: Como ela é linda.

Eu deixo meu medo pra trás estreitando nosso contato.
Os abraços já são...
Ela: os mais seguros que senti.

E os beijos...
Ele: os mais intensos que provei.


Você me olha com aquele brilho e eu te confesso:
Ela: eu sempre lhe esperei.
Ele: eu sempre lhe quis.








De súbito retorno ao nosso momento e abrindo meus olhos, lhe vejo...
Ela: Lindo...
Ele: Linda...

a minha frente. Na frente de todos.
Eu digo:
Ela: Sim...
Ele: Sim...

Lhe beijo, lhe abraço... e pra nunca mais soltar as suas mãos eu seguro.









Maíra Brum.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Depois de "Somos Tão Jovens"

Cartaz do filme




    Eu estou com cheiro de cigarro, de bebida e bagunça. Um cheiro forte de vontade, cheiro de desejo, de sonhos e paixões exalando. E junto desse cheiro apertou em meu peito um coração que dessa forma não pulsava.
    Me mostraram tua história, tuas escolhas, teus ocultos amores e sua música.
    E através de cada película eu lembrei um pouco mais de mim. Um pouco da pequena que cresceu ouvindo suas letras por conta do gosto de seus familiares que vivenciaram os famosos "Anos 80". Um pouco da recém-adolescente que tinha planos e quereres tão especiais e esperança indestrutível.
    E tudo que era incompreensível e tão distante se tornou real.
    Eu sai daquela sala de cinema querendo muita mais da vida e menos de mim. Ou mesmo querendo muito de atos despretensiosos, em paz e felizes meus e esperando menos cobrança, julgamento e mentiras da vida.
    Difícil conter. O momento é de revolta!
    Uma revolta interna, uma mudança de atitude. Na verdade ATITUDE é a palavra que define todas as coisas.
    E naquela noite de poltrona e pipoca percebi a necessidade  de não sentir mais necessidade de nada. Ao menos o "nada" que não me faz bem.

    Eu digito rápido, com força e um ar de mulher.
    Ar de quem sabe o que quer e não vai mais se negar a ser plena.
    De quem pensa que "Ainda É Cedo" e que é muito jovem para deixar de viver todas as coisas.





Trecho de  "Baader-Meinhof Blues"  (Legião Urbana) 









_ Maíra Brum.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Palavras de Cigana (4)

    Foi estranho perceber como o céu fechou e tudo ficou tão cinza, tão apático, tão sem vida. Não se ouvia risos nem música.
    Foi estranho olhar pra frente e não enxergar meu caminho. Foi estranho não me reconhecer.  Olhei para as estrelas na intenção de entender e um forte vento soprou os fios de meu cabelo. Fechei meus olhos e senti. Ventos sábios, justos e decididos de mudança.
    E o caminho que eu traçava eu deixei de lado, e os planos que eu construía eu abandonei, e do sentimento que eu nutria eu fiz pó. Fiz cimento, fiz viga, fiz ponte para um novo momento.
    Mas antes de atravessar deixei ao chão do velho acampamento aquilo que pesava e assim ficou uma parte pequena, cansada e desesperançosa de minha alma junto a fogueira apagada.
    Roguei àqueles que me antecederam proteção e um sussurro me faz relembrar que desde menina me ensinaram que erros, quedas e ilusões são meios de aprendermos sobre a vida.

    Pus-me a andar, andarilha que sou.
    Tropeçando um pouco no início julguei ter passado tempo demais estagnada, mas para toda evolução os primeiros passos devem ser dados. Mesmo indecisos, tortos e inseguros.
    E agora desbravo novas estradas, percorro novos olhares, me encontro dentro de mim e da paixão que sinto pela vida.

    Com o baralho no bolso e o pandeiro a me animar, sorrio e entendo:

    "Não há como tirar da pele a possibilidade de ser ferida sem tirar-lhe a possibilidade de ser marcada, de ser beijada, de ser tocada e acariciada."








Maíra Brum.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Moleque

    Eu sou apenas mais um rosto ou nem um rosto. Sou mais um vulto em meio a tanto outros. Mas por mais que para a maioria eu não passe de uma sombra que impõe medo, eu tenho uma história. As vezes até mesmo eu a esqueça, ou ao menos tente, quem sabe toda essa minha realidade represente uma drástica intenção de

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um Tal Manoel

     Eu que antes cabia facilmente em seu colo agora preciso me arrumar de modo que não o incomode na hora de te pedir cafuné. A menina cresceu, mas continua a ser sua menina. Continua a ser uma boba-alegre, permanece com sonhos irreais, confia de certo modo em todas as pessoas e te conta (logo que chega a casa) todas as coisas que faz.
     Mas nessa rotina que de certo modo não muda, tudo mudou.  Por momentos percebo as linhas de tua face ficando mais fundas e presentes e em um estalo percebo: "Até pra você o tempo passa".

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Fechar os Olhos Ajuda ?

    Jogados em uma rotina intensa poucas vezes paramos realmente para pensar, para observar, para nos fazermos entendedores do mundo. Achamos que correr contra o tempo deixará tudo mais ameno, menor e suportável, mas não é assim que a vida funciona. Fechar os olhos não vai mudar a realidade, não vai destruir as consequências, não vai resolver todos os problemas. Então por que insistimos em nos fazermos isolados e isentos de tudo isso que ocorre dentro e fora de nossos muros ?

    Assumimos uma cultura egoísta e despretensiosa. Agora o que vale a pena comentar são as fofocas matinais, os resultados de jogos, o modo como fulana se veste, a forma como fulano canta, o carro potente da vez, a gostosa da capa do mês. Partiu ! #Caos #InstaMundoOmisso

sexta-feira, 22 de março de 2013

Da Tua Melodia


Ler ouvindo:
http://www.youtube.com/watch?v=QgaTQ5-XfMM



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_ Para todos aqueles que se sentem bem com uma boa música.





Acordar.Levantar.Tomar banho.Escovar os dentes.Me vestir.Tomar o café da manhã.Escovar o dente outra vez. Pegar a bolsa.Abrir a porta.Sair.

Eu respiro muito fundo e então vem você me acalmando, fazendo o mundo lá fora e o mundo aqui dentro desaparecerem, ficarem distantes.
Ainda não entendo esse teu poder. Me domina sem esforço. Eu te permito e você torna a confusão um problema pequeno.
Eu te ouço com atenção, com entrega e suas palavras que quase sempre são doces acabam por me definir. Definem meu mundo e minha mente. Elas traduzem meus pensamentos e por vezes os silencia.

domingo, 3 de março de 2013

"ô Chuva"

Um estrondo ou um barulho e a velocidade de todos os passos começa a aumentar.
E eu ?... eu desacelero ainda mais.
E enquanto cores e estampas estranhas começam a aparecer de bolsas preparadas eu olho para o céu e espero tua chegada.
Eles abrem preocupados sua chance de proteção, esbarram uns nos outros com seu objeto metálico delimitando certo espaço, certo isolamento, certa chance de não lhe sentir.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Palavras de Cigana (3)

O frio que sinto na pele, o olhar perdido pelas estrelas, o pensamento unido à Lua.
Sei que teu caminho tem sido percorrido por vezes a distância. Distante espacialmente do meu.
Te entendo, te percebo, te admiro e aguardo.
E se outras chorariam e se rebelariam por conta de tua partida, Príncipe, eu por ser cigana sorrio e lhe faço uma prece.

"Pelas longas estradas que vai percorrer. Pelas feições diferentes que vai se deparar. Pelos castelos diversos que vai construir. Eu peço.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Trago a Pessoa Amada"

Para aqueles que usam de ações, de pensamentos, de preces, de orações, de mentores espirituais, guias e afins para obrigar alguém a lhe querer.

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"Trago a pessoa amada"
Eu trago a pessoa, mas lhe alerto que não será a pessoa que diz amar, mas sim a que cobiças.
A pessoa que se quer possuir e não pertencer, pois em seu caso não se quer amor, mas sim ter direito e razão sobre o outro.Não se quer uma sociedade, mas sim para si todo o lucro.
Pedir para trazer esta pessoa é ter consciência do que exatamente está querendo e que seu pedido pode não ser concretizado, que o coitado(a) pode ter uma mente protegida e uma opinião forte que mesmo com suas ou minhas investidas não será dobrado.
Me pedir para tentar mudar o pensamento do outro é ter por claro que não se importa se o que levou a um término foram as suas atitudes e palavras; ter por claro que não se sente culpado se deixou mágoas, feridas e traumas; é ter por claro que o que o outro quer não lhe importa.



"Pois em seu caso não se quer amor..."

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Meu carnaval é agora !

   Hoje eu acordei em festa, pois em meu peito é carnaval. Quero amor, dinheiro, chupeta e apito.
  Estou disposto a me isolar, a me expandir, a me permitir e resguardar. E não me socorra, pois estou eufórico, vivo, animado e feliz.
   Hoje é carnaval e eu vestirei minha fantasia de mim !

Foto De Flaviana Fernandes _ luz e arte fotografia

   Estou disposto a ser, fazer e querer o que quero. No onde, no como e no quando que almejo. Pois assim serei feliz.
   Hoje é carnaval e eu quero viver esse sentido de liberdade nos 365-6 dias de um ano, nas 24 horas de qualquer dia e nos 60 segundos de cada minuto. E se meu sorriso lhe incomodar lhe direi mesmo no auge do mês de Julho que "não me leve a mal, hoje é carnaval".
   Você estranhará, pois carnaval para você são apenas quatro dias somados a uma quarta-feira de cinzas, mas lhe contarei do meu acordo com meu espírito e lhe convidarei para entrar nessa farra comigo. Direi que sambar só não é tão gostoso quanto sambar junto e tentarei lhe convencer a também viver pleno e repleto de empolgação, folia e gozo.
   Assim vale a pena. Assim o mundo fica mais colorido. 
   Assim eu não preciso viver desmedidamente um mundo de coisas em poucos dias e posso viver tudo o que quero durante o meu ano.







Maíra Brum.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Despedida

    "Tchau".
    Foi apenas o que disse e você saiu com aquela incerta (mas presente) certeza de que depois de algumas horas iria voltar.
    Voltar para sua casa, seus planos, suas amizades, sua família.
    Voltar para sua rotina, seus momentos de alegria, seus instantes de estresse, sua vida.
    Não imagino como foi tudo lá. Não sei se estava sendo a melhor noite da sua vida ou mais uma madrugada de música alta  na sua semana.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Palavras de Cigana (2)


  O dia amanheceu, meus olhos se abriram e tudo está diferente.
  Ponho minha mão no peito. Respiro tão fundo que me perco sentindo o corpo pulsar.
  Passo minha mão sobre a pele e nela há marcas invisíveis de você.
  Deixou-se ficar em mim. Logo agora que percebi o perigo e pensava em lhe esquecer.
  Logo agora que eu pensava estar livre me prende sem algemas. Me prende sem paredes, sem chance a questionamentos, sem direito a uma última ligação para o ontem. O ontem no qual eu ainda tinha o controle das coisas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Olhar nos Olhos

      "O que mais te chama atenção no outro ?"
   Não boca, não corpo, não cabelo nem postura. Me encantam os olhos. Me encanta o olhar.
  Não só cor, traço, mas o todo. A expressão, o brilho e como ele soma à personalidade daquela pessoa.
    Me atrai a sinceridade que o olhar traz, que não se controla. Ele sente, demonstra, mesmo que seu dono tente dissimular as coisas.
    O olhar de alguém sempre me narra histórias, gostos, desgostos, tropeços, ideais e ideias.
    E nesse mundo em que se encarar no espelho é muito trabalhoso